Melhores ações junho 2022: altas e baixas

IBOV despencou 11,5% e a bolsa tem seu pior mês desde o início da pandemia. Veja as piores e melhores ações de junho de 2022.
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Definitivamente, o sexto mês do ano não foi bom para a bolsa. Ao analisar o resultado das piores e melhores ações de junho de 2022, vemos uma baixa mensal de 11,5% – a pior desde o começo da pandemia em 2020. No ano, o índice já acumula queda de 5,99%.

O cenário é de incerteza com a inflação e alta de juros – no Brasil e no mundo. Para se ter ideia, costumamos elencar as 5 maiores altas e 5 maiores baixas do mês. Mas junho foi atípico e apenas 4 de 91 ações do Ibovespa subiram neste mês. 

Quer entender o que rolou? Continue lendo o artigo!

Melhores ações junho 2022: maiores altas do Ibovespa

Fonte: GorilaFLOW.

1 – Eletrobras (ELET6)

Nesse péssimo mês de junho para a bolsa, as ações da Eletrobras (ELET6) escaparam da derrocada e obtiveram a primeira posição no ranking de melhores ações do mês, com alta de 12,18%.

A privatização da companhia, oficializada no dia 9 de junho, foi o grande impulsionador do resultado. A mudança já era esperada pelo mercado há muito tempo e a operação movimentou mais de R$ 33 bilhões, colocando-a como a segunda maior oferta de ações do ano no mundo.  

Analistas esperam que a privatização faça a atenção do mercado se voltar para investimentos em fontes de energia renováveis e novas tecnologias.

Os papéis da Eletrobras se destacaram em junho devido à privatização da empresa, que foi a maior em 20 anos no país. 

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2 – Eletrobras (ELET3)

O segundo lugar privilegiado entre as melhores ações de junho de 2022 também ficou com a Eletrobras. Enquanto a primeira posição ficou com os papéis preferenciais (ELET6), a segunda ficou com os ordinários (ELET3) – com alta de 9,63% –  ambos puxados para cima pela privatização supracitada. 

No ano, o ticker ELET3 acumula alta de 40,88% enquanto ELET6 soma 47,04%.

ELET3  e ELET6 tiveram desempenho quase idêntico em junho.

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3 – Fleury (FLRY3)

A Fleury (FLRY), do ramo de exames laboratoriais, apareceu no ranking devido à alta de 7,38% no mês. Os ganhos que garantiram a posição vieram de um único pregão – o do último dia de junho – quando a empresa anunciou a fusão com a Hermes Pardini (PARD3). 

A junção ainda precisa da aprovação do Cade, mas a notícia animou o mercado e fez o ticker liderar as altas da sessão do dia 30. Analistas acreditam que os negócios têm excelente sinergia.

A fusão com a Hermes Pardini fez a Fleury garantir seu lugar no ranking das melhores ações de junho de 2022.

4 – WEG (WEGE3)

Com crescimento de 4,26% no mês, a WEG (WEGE3) se manteve estável em junho. A companhia distribuiu R$ 181,6 milhões em forma de juros sob capital próprio (JCP) no dia 21. Em análise divulgada pelo BTG, o modelo de negócio resiliente da companhia foi considerado “a prova de crises”.

Demonstrando solidez nos resultados, a WEG esteve entre as melhores ações do mês, mesmo em tempos difíceis. 

Piores ações junho 2022: maiores baixas do Ibovespa

Fonte: GorilaFLOW.

1 – Méliuz (CASH3)

Encabeçando o ranking das piores baixas de junho estão os papéis da plataforma de cupons e cashback, Méliuz (CASH3), que derreteram 43,16% neste mês. Assim como nos últimos meses, a inflação acelerada e a taxa de juros elevada seguem prejudicando radicalmente as empresas ligadas aos setores de tecnologia e varejo, que costumam ter grande dependência de crédito e do consumo, além de operar com margens mais curtas. 

Ainda, no começo do mês, o Morgan Stanley revisou para baixo o preço-alvo das ações da companhia, após o balanço corporativo da empresa registrar prejuízo de R$ 17,1 milhões, destacando a aceleração das despesas

Com o desempenho negativo de junho, o CASH3 ocupou o segundo lugar entre as maiores baixas do semestre, registrando queda de 66,67%.

2 – Via (VIIA3)

Novamente compondo a lista de baixas do mês, a Via Varejo (VIIA3) ocupou a segunda posição entre as maiores quedas de junho, despencando 38,85%. E assumiu a terceira posição entre as maiores quedas do semestre, com baixa de 63,24%. 

A inflação persistente e a taxa de juros elevada prejudicam o setor varejista, tanto pelo aumento do custo de capital quanto pela fragilização da demanda das famílias diante da redução do poder de compra da população. Além disso, a entrada de novos concorrentes, principalmente internacionais como Shopee e Amazon, no segmento seguem diminuindo as margens e a rentabilidade das companhias, com aumento de gastos focados na melhoria dos serviços e aquisição de clientes.

A VIIA3 encerrou o mês abaixo de R$ 2,00, menor cotação do semestre.

3 – Azul (AZUL4)

Em terceiro lugar, encontram-se os papéis da companhia aérea brasileira Azul (AZUL4), que caíram 38,44% no mês de junho  e as razões para queda das ações do setor não são novidade. 

A elevação do risco de recessão global, com a desaceleração da atividade econômica em diversos países, não agrada o setor de turismo, que ensaia uma retomada desde a reabertura das economias no momento de recuada pandemia. As companhias têm enfrentado forte aumento de custos, relacionados à disparada dos preços dos combustíveis, que se mantiveram elevados ao longo do mês de junho, e à redução do poder de compra da população pela inflação bastante elevada. O avanço da moeda americana contra o real também representa um entrave para o crescimento do setor, nesse momento macroeconômico bastante conturbado.

A Azul permaneceu em território negativo ao longo de todo o mês de junho.

4 – Gol (GOLL4)

Da mesma forma que as ações da Azul, os ativos da Gol (GOLL4) recuaram 37,49% no mês, respondendo pelo quarto pior desempenho das ações que compõem o Ibovespa em junho. O setor tem sofrido drasticamente com o repasse do aumento dos custos dos combustíveis, com a inflação das passagens aéreas avançando 18,33% em maio, segundo o IBGE. Diversas instituições financeiras têm evitado os papéis das companhias e reduzido o preço-alvo das ações ao longo do mês. 

No dia 29/06, a BB Investimentos cortou o preço-alvo da GOLL4 em mais de 73% ao final de 2023.

A operadora de turismo CVC também não ficou de fora da farra e teve a sexta pior queda de junho, -36,08%, mesmo após a oferta de ações no final do mês.

5 – Magazine Luiza (MGLU3)

Em quinto lugar e figurando no ranking de baixas pelo terceiro mês consecutivo estão os papéis da varejista Magazine Luiza (MGLU3). A queda de 37,10% em junho contribuiu para que a companhia ocupasse a primeira colocação entre as empresas que mais caíram até o momento em 2022. 

O tombo de 67,45% no semestre foi responsável por reacender o risco das ações da companhia voltarem a ser negociadas abaixo de R$1, voltando a ser categorizada como  penny stock. Dentre os motivos estão os mencionados anteriormente, que contribuem para a derrocada do comércio varejista, e, apesar da queda acentuada, ainda não há recomendação de compra para as empresas do setor visto o cenário macroeconômico bastante conturbado que se tem pela frente.

Com o derretimento dos ativos da companhia, Luiza Trajano deixou a lista de bilionários da Forbes nesse mês.

Contexto de junho

O mês de junho foi marcado por grande volatilidade tanto no mercado doméstico quanto no internacional. Ao longo do mês, a política monetária tomou conta do noticiário econômico, comos principais bancos centrais do mundo no radar do mercado tomando decisões acerca desse tema.

A inflação acelerada não deu sossego aos investidores, que observam de perto a aceleração dos riscos de recessão global, à medida que a atividade chinesa é retomada com a flexibilização das medidas restritivas e reabertura das principais cidades do país.

Os cripto ativos enfrentaram um mês bastante desfavorável, com a contração da política monetária americana prejudicando principalmente os ativos de risco, enquanto as propostas apresentadas no congresso para a contenção do preço dos combustíveis reacenderam o alerta para a irresponsabilidade fiscal em ano eleitoral. 

Política Monetária e Inflação

A inflação elevada se mostrou obstáculo às diversas economias mundiais e não apenas ao Brasil, com aceleração expressiva do nível de preços advinda tanto da retomada da atividade no pós pandemia quanto da guerra na Ucrânia, que chegou ao seu 100° dia no dia 03/06.

Na Europa, o Banco Central Europeu anunciou, em seu comunicado após a reunião de política monetária do dia 09/06, o início do processo de elevação das taxas de juros da região para a decisão de julho, em 0,25 p.p., e já antecipou outra alta para a reunião de setembro. O movimento veio após o índice de preços ao consumidor da Alemanha para maio alarmar o mercado. No acumulado de 12 meses, o índice avançou 7,9%, 40 bps acima das expectativas e a maior variação em quase cinquenta anos. 

A inflação ao consumidor na zona do euro também contribuiu para a postura da autarquia, após avançar para sua máxima histórica pela 7ª vez consecutiva, aos 8,1% na comparação anual. A inflação no continente ainda segue extremamente pressionada pelo setor de energia, cujos preços dispararam 38,8% em maio em função dos embargos ao óleo russo e da interrupção do fornecimento de gás natural pelo país, como forma de retaliação.

Assim como em maio, junho também foi marcado pela “Super Quarta”, ocasião em que tanto o Banco Central do Brasil quanto o Federal Reserve comunicam suas decisões de política monetária, que ocorreu no dia 15/06. A divulgação da inflação ao consumidor (CPI) americana, na sexta-feira que antecedeu a decisão do Fed, surpreendeu radicalmente o mercado ao registrar avanço mensal de 1%, 30 bps acima das expectativas, e atingir seu maior patamar desde 1981 no acumulado de 12 meses.

O resultado forçou o mercado a revisar suas projeções, da alta quase consensual do Fed Funds Rate de 50 bps para 75 bps, apenas um dia antes da decisão. Na semana em questão, o índice S&P 500, que engloba as quinhentas principais ações negociadas na bolsa americana, obteve seu pior desempenho desde 2020, quando enfrentava o auge da pandemia. Com a mudança de panorama, a autoridade monetária americana adotou a postura mais hawkish esperada pelo mercado e anunciou a elevação da taxa de juros em 75 bps, ritmo mais elevado desde 1994, contratando novas altas de igual magnitude para as próximas reuniões.

No Brasil, por outro lado, o IPCA abaixo do esperado para o mês de maio contribuiu para que o Comitê de Política Monetária (Copom), em linha com o consenso de mercado e conforme o anunciado na última reunião, elevasse a taxa Selic em 50 bps, para 13,25%, apesar de manter a porta aberta para novas elevações em próximas ocasiões.

No resto do mundo, o aperto monetário seguiu repercutindo, com o Banco da Inglaterra (BoE) elevando a taxa de juros local pela 5ª vez consecutiva e o Banco Central da Suíça surpreendendo o mercado ao anunciar a primeira elevação da taxa de juros desde 2007, enquanto, no Japão e na China, as autoridade monetárias optaram pela manutenção das taxas de juros em território ultra-acomodatício.

Risco Fiscal

Os temores fiscais voltaram a perturbar os investidores brasileiros no mês de junho, após o Governo Federal introduzir a proposta que estabeleceria um limite à alíquota do ICMS cobrada pelos estados, com compensação aos agentes da união pela perda de arrecadação.

A crise dos preços dos combustíveis foi pauta ao longo de junho e voltou a afetar a Petrobras, que enfrentou sua quarta troca de comando no governo Bolsonaro. A tentativa de controle dos preços fez com que a companhia enfrentasse alta volatilidade durante o mês e abriu a discussão para a revisão da Lei das Estatais.

Do outro lado, com efeitos positivos sobre o índice Bovespa, foi concluído o processo de desestatização da Eletrobras, que movimentou R$ 33,7 bilhões na venda de mais de 800 milhões de papéis fixados em R$ 42 por ação. Assim, o governo federal deixou de ser o controlador majoritário da companhia.

Ainda, em meio ao desespero do ano eleitoral, o governo propôs a elevação dos valores do benefício do Auxílio Brasil e do vale-gás, além da criação de um voucher de R$ 1.000 para contribuir com as despesas de combustível dos caminhoneiros.

Enquanto, desde o começo de junho, o ministro da Casa Civil, Ciro Nogueira, menciona decretar estado de emergência por conta da altas dos combustíveis, ficou para o último dia do mês a votação da PEC dos Combustíveis, também apelidada de PEC das Bondades, mas melhor descrita como PEC Kamikaze

A PEC dos Combustíveis, aprovada no dia 30/06 no Senado, que possuía como pretexto a ampliação dos gastos sociais, representa uma afronta às contas públicas ao liberar R$ 41,25 bilhões para o governo distribuir, sem precisar responder ao Teto de Gastos, à Regra de Ouro e à Lei de Responsabilidade Fiscal, apenas para o ano eleitoral de 2022. Ainda, ao decretar “estado de emergência” por conta dos preços dos combustíveis, o Senado isentou o presidente da república de qualquer contestação pelo descumprimento da lei eleitoral.

Primeiro Semestre

O mês de junho também demarcou o encerramento do primeiro semestre do ano e foi marcado pela disparada da inflação, agressividade da política monetária, erupção da guerra da Ucrânia e novo surto de Covid-19 na China.

Os setores mais prejudicados, como observado ao longo dos últimos fechamentos mensais, acabaram sendo aqueles mais sensíveis à inflação elevada, que têm atingido patamares recordes ao redor do mundo, e à elevação das taxas de juros, com ênfase para o setor de consumo e tecnologia.

Pelo outro lado, a disparada dos preços da energia e combustíveis, amplificados pela guerra da Ucrânia, beneficiaram o setor de commodities da bolsa brasileira, com grande peso no índice Ibovespa. O setor financeiro também tem sido favorecido pela elevação da taxa de juros, que reflete no aumento do spread bancário das instituições.

Se quiser se aprofundar mais no desempenho do principal índice da bolsa brasileira e de seus setores ao longo do primeiro semestre, assista à live do Gorila:

https://youtu.be/9xh0jakQ8vk

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