Inflação 2022: por dentro da alta generalizada dos preços

A inflação em 2022 já ultrapassou a meta fixada. Acompanhe mês a mês os motivos desse fenômeno que tem afetado a economia doméstica e a externa.
Inflação 2022: Cartão de crédito voando junto a notas de dinheiro
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O fenômeno da inflação elevada não é tão estranho aos brasileiros quanto é para o resto do mundo, mas o que tem feito a alta dos preços, tanto doméstica quanto externa, atingir patamares tão elevados em 2022? Continue neste artigo para entender mês a mês os impactos.

 

Vá direto ao ponto:

 

Índice

A aceleração da inflação pôde ser observada desde meados de 2021 e, dentre as causas, podemos citar o reaquecimento da demanda mundial causado pela atenuação dos riscos relacionados à pandemia e a manutenção dos estímulos econômicos injetados visando a preservação da atividade, a perpetuação de choques de oferta pela descontinuação de cadeias produtivas globais, a elevação dos preços da energia pela possibilidade de crise energética no radar e, mais recentemente, a erupção da guerra entre Rússia e Ucrânia.

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Como é medida a inflação no Brasil?

Primeiramente, vamos entender o contexto no Brasil. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) é a medida de inflação mais difundida no país, considerado o termômetro oficial da inflação brasileira. Ele busca refletir o custo de vida de famílias com renda mensal de 1 a 40 salários mínimos a partir da variação dos preços de uma cesta de consumo de produtos e serviços.

O IPCA é fundamental na formulação da política monetária brasileira, sendo o principal indicador observado pelo Banco Central para a definição e perseguição da meta de inflação. Para além do IPCA, outros indicadores de inflação também são relevantes para o acompanhamento da política monetária, como o INPC, que serve de indexador para a correção salarial, e o IGP-M, utilizado nos reajustes anuais dos contratos de aluguel.

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Meta de Inflação 2022

O regime de metas para a inflação é amplamente adotado ao redor do mundo e vigora no Brasil desde 1999. O sistema consiste na definição de uma meta para a inflação pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) para o período de três anos à frente a fim de reduzir as incertezas e garantir maior estabilidade para a tomada de decisão dos indivíduos. Com a meta definida, cabe ao Banco Central agir e implementar medidas que assegurem o seu cumprimento para o ano em questão.

A importância da meta está em garantir transparência e informação entre as ações tomadas pela autoridade monetária e a sociedade, com o intuito de manter as expectativas ancoradas. Para assegurar que a inflação encerre o ano dentro dos limites estipulados, que variam de menos 1,5 p.p. a mais 1,5% do centro da meta, o Banco Central, através do Comitê de Política Monetária (Copom), define, a cada 45 dias, a nova meta para a taxa Selic (taxa básica de juros da economia brasileira), que atuará sobre a inflação por diversos canais, seja pelo desestímulo ao investimento e consumo, alívio das pressões cambiais ou controle das expectativas. O Banco Central, através de operações de mercado aberto (compra e venda de títulos), também busca aproximar a Selic Over de sua meta para garantir o bom funcionamento dos canais de transmissão da política monetária.

A inflação brasileira, medida pelo IPCA, tem tido retornos acima do limite superior da meta estipulada pelo Banco Central desde março de 2021, quando encerrou o ano a 10,06%, 6,31 p.p. acima da meta de 3,75% definida, cujo limite superior avançava até 5,25%. Para o ano-calendário de 2022, a meta foi fixada em 3,5%, com teto de 5% e, no ano, a inflação já acumula alta de 4,78%.

Desde o começo do ano, o mercado já elevou suas expectativas para a inflação 17 vezes. Segundo o boletim parcial do Relatório Focus, publicado dia 06/06, que compreende as expectativas do mercado para os principais indicadores econômicos do Brasil, a projeção para o IPCA de 2022 está em 8,89% enquanto a mediana das projeções para 2023 se afasta cada vez mais da meta de 3,25% e hoje se encontra em 4,39%.

O que é a ancoragem das expectativas e qual sua importância para a política monetária?

As expectativas sobre a inflação prospectiva são fundamentais para definir a trajetória da inflação presente uma vez que os indivíduos e os agentes do mercado reformulam suas decisões sobre consumo, poupança e investimentos a partir de suas percepções sobre o que pode vir a acontecer no futuro. Caso um vendedor entenda que os preços dos alimentos, do aluguel ou da energia irão aumentar no futuro, ele se antecipa aos riscos inflacionários e eleva o preço dos próprios produtos hoje, elevando a inflação.

Manter as expectativas bem ancoradas é essencial para, além de manter a inflação dentro da meta no horizonte relevante, assegurar a credibilidade da autoridade monetária e reduzir os custos de implícitos no combate às pressões inflacionárias. Além da definição da meta de inflação, outra prática implementada pelo Banco Central para manter as expectativas ancoradas é o Forward Guidance, ou “prescrição futura”, que implica na indicação, seja por meio dos comunicados e atas pós Copom ou por pronunciamentos de membros do BC, dos passos futuros que autoridade monetária irá tomar.

Copom e Selic

Como tentativa de conter os efeitos negativos que a pandemia deixaria sobre a atividade, os governos do mundo inteiro injetaram diversos estímulos monetários e fiscais na economia e, dentre eles, a redução das taxas de juros. A autoridade monetária brasileira reduziu a taxa Selic ao seu menor patamar da série histórica, que se encontrava em 2% a.a. de agosto de 2020 a março de 2021. Com os sinais de aceleração da inflação deixados desde o final de 2020, o Banco Central do Brasil foi pioneiro na retirada dos estímulos monetários e passou a elevar a taxa de juros básica da economia consecutivamente a partir de então. Dessa maneira, a taxa de juros já retornou ao patamar em que se encontrava no início de 2017, subindo mais de 10 p.p. no período em dez elevações sucessivas, mas isso surtiu pouco efeito sobre a inflação.

Como mencionado anteriormente, a taxa de juros é uma das ferramentas utilizadas pela autoridade monetária para conter os avanços das pressões inflacionárias, mas seus efeitos são defasados, ou seja, não ocorrem imediatamente. Estima-se que o período para que uma alteração na taxa de juros alcance seu impacto relevante sobre a inflação seja de três a cinco trimestres, assim, o Banco Central tem de ser cauteloso para que sua atuação não exceda os estímulos apropriados.

No relatório de inflação de março, publicado pelo Banco Central, a possibilidade de descumprimento da meta de inflação já havia sido comunicada, com probabilidade de 88%. Apesar de já sinalizar há algumas reuniões, a autoridade monetária brasileira anunciou no último relatório do Comitê de Política Monetária, relativo à decisão de maio, que abandonará o cumprimento da meta de inflação para o ano-calendário de 2022, com os efeitos da política monetária sobre a inflação compreendendo o horizonte temporal de 2023 apenas.

Mas como tem se comportado a inflação brasileira ao longo de 2022?

Comparativo da inflação acumulada: IPCA e IGP-M.
Veja como foi distribuído o peso da inflação ao longo dos últimos meses.

A taxa de inflação, medida pelo IPCA, tem batido consecutivos recordes ao passar dos meses de 2022 e as causas são múltiplas. Além do aquecimento da demanda diante da redução das medidas de isolamento social adotadas ao longo de 2020 e 2021 devido à boa receptividade da política de vacinação no país e a manutenção de diversos estímulos à economia até a estabilização do mercado de trabalho, o começo do ano ainda foi marcado por:

  • Riscos de crise hídrica trazidos de 2021, com encarecimento do custo da energia e alimentos;
  • Alta desvalorização do real frente outras moedas internacionais, trazendo pressões inflacionárias tanto pela aceleração das exportações quanto pelo encarecimento das importações;
  • Interrupções de cadeias produtivas, com ênfase no setor automotivo pela escassez de peças, como semicondutores;
  • Tensões do leste europeu que desencadearam a guerra da Ucrânia.  

Acompanhe mês a mês os principais impactos:

Janeiro

Gráficos exibindo variação mensal da inflação em 2022
Variação mensal da inflação em janeiro.

No primeiro mês do ano, a variação dos preços ao consumidor desacelerou para 0,54% quando comparada à alta de 0,73%, registrada em dezembro, e se encontrou marginalmente abaixo das expectativas do mercado, que projetavam elevação de 0,56%. No entanto, o resultado ainda foi impactante, sendo a maior variação para o mês de janeiro desde 2016, quando registrou alta de 1,27%. No acumulado de 12 meses, a taxa acelerou para 10,38% e vem se mantendo acima dos dois dígitos desde então.

A principal influência para o IPCA de janeiro veio do setor de alimentos e bebidas, cuja inflação saltou para 1,11% e respondeu por 0,23 p.p. do índice total, com destaque para as frutas e carnes. O setor foi influenciado principalmente pelas condições climáticas que assolaram as diferentes regiões do Brasil no começo do ano, com fortes chuvas nas regiões norte e nordeste e seca no sul.

O destaque isolado ficou por conta dos preços do automóvel novo, que aceleraram 2,19% no mês, uma vez que o setor automotivo foi um dos mais afetados pela desorganização das cadeias produtivas durante a pandemia, com a escassez de peças e o aumento de custos dos insumos. Apesar disso, a inflação do setor de transportes foi a única a recuar, devido, principalmente, à redução dos preços das passagens aéreas e dos combustíveis.

A inflação do aluguel, medida pelo IGP-M, acelerou para 1,82% em janeiro, ante 0,87% registrado no mês anterior, e acumulou alta de 16,91% em 12 meses. O principal impacto  sobre o índice veio da inflação ao produtor (IPA), que cresceu 2,30%.

Fevereiro

Gráficos exibindo variação mensal da inflação em fevereiro.
Variação mensal da inflação em fevereiro.

Para o mês de fevereiro, a inflação veio acima das expectativas do mercado, que projetava alta de 0,95%, e acelerou para 1,01%, maior variação para o mês desde 2015. O índice registrou aceleração no acumulado de 12 meses, com alta de 10,54%, e uma inflação muito mais difundida entre os setores.

Com maior participação, os preços relacionados à educação se elevaram em 5,61%, muito por conta da incorporação dos reajustes relacionados ao início do ano letivo, e contribuíram com a alta de 0,31 p.p. do índice total. O setor de alimentos e bebidas também contribuiu fortemente com a inflação, novamente influenciado pelas fortes chuvas nas regiões norte e nordeste, enquanto a região sul enfrentava uma forte seca. No mês, o setor variou 1,28%, sendo responsável por 0,27 p.p. do IPCA de fevereiro, segunda maior contribuição.

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A inflação de veículos novos seguiu avançando, se disseminando também para automóveis usados e motocicletas, enquanto o preço dos combustíveis recuou pelo terceiro mês consecutivo. Até então, combustíveis tinham sido a classe mais afetada pela alta dos preços nos últimos 12 meses, acumulando alta de 33,33%, mas a gasolina e o diesel recuaram 0,47% e 5,04%, respectivamente, no mês.

O IGP-M avançou para 1,83% em fevereiro e acumulou alta de 16,12% na taxa anual, enquanto no mesmo período do ano passado o índice acumulava de 28,94%, uma vez que o índice sofre forte influência dos fatores cambiais. O principal impacto veio novamente da inflação ao produtor, que cresceu 2,36%.

Março

Gráficos mostrando a Variação mensal da inflação em março.
Variação mensal da inflação em março.

Apesar da guerra entre Rússia e Ucrânia estourar no final de fevereiro, os principais impactos sobre os preços foram sentidos apenas em março. A inflação saltou 1,62%, na comparação mensal, maior resultado da série histórica para o mês desde 1994, quando atingiu 42,75%, pouco antes da implementação do Plano Real. Também foi o maior valor da taxa mensal desde janeiro de 2003, quando registrou alta de 2,25%. O resultado foi de encontro com as projeções do mercado, que esperava o IPCA em 1,32%, e também surpreendeu a autoridade monetária. Em 12 meses, o índice avançou 11,30%, maior patamar desde outubro de 2003.

O maior impacto individual veio da gasolina, que subiu 6,95% no mês e respondeu por 0,44 p.p. da elevação do índice, corroborando com a aceleração do setor de transportes. O setor apresentou a maior variação do mês (3,02%), contribuindo com 0,65 p.p. do IPCA, seguido pelo setor de alimentos e bebidas, que acelerou para 2,42% e respondeu por 0,51 p.p. do indicador.

A guerra no leste europeu trouxe grandes incertezas acerca da disrupção de novas cadeias produtivas e interrupção do fornecimento de diversos bens, com ênfase nas commodities energéticas e agrícolas das quais os países são grandes produtores e exportadores. Ainda, em meados de março, passados quase dois meses sem reajustes, a Petrobras aprovou o reajuste de 18,8% no preço da gasolina e 24,9% do diesel, o que corroborou com a inflação de combustíveis no mês.

A inflação medida pelo Instituto Brasileiro de Economia da FGV registrou alta de 1,73% em março e acumulou variação de 14,77% em 12 meses. Os combustíveis tiveram grande participação para o resultado do mês e a inflação ao produtor saltou para 2,07%, além de acelerar a inflação ao consumidor para 0,86%.

Abril

Gráfico mostrando variação da inflação em abril
Variação mensal da inflação em abril.

Em abril, a inflação desacelerou para 1,06% na comparação mensal, mas voltou a registrar recordes na série histórica. A taxa foi a maior para o mês em 26 anos e, no acumulado de 12 meses, avançou para 12,13%. Apesar de menor, o resultado para abril foi mais difundido entre os diferentes setores abrangidos e novamente superou as expectativas dos agentes do mercado, que antecipavam uma alta de 1% no mês.

A desaceleração no mês veio acompanhada da deflação no setor de habitação, cujos preços recuaram 1,14% por conta da suavização dos preços da energia elétrica (-6,27%). Favorecido pelas fortes chuvas do começo do ano, o governo anunciou a transição da bandeira tarifária para a cor verde, a qual não inclui cobrança de tarifa extra sobre a conta de luz, que passou a vigorar a partir da metade do mês.

Na outra ponta, o setor de alimentos e bebidas novamente se posicionou como o maior responsável pela alta da inflação, subindo 2,06% no mês e contribuindo com 0,43 p.p. do IPCA. Logo em seguida vem o setor de transportes, responsável por 0,42 p.p. do impacto no índice. O preço das commodities e combustíveis ainda elevado foi o principal responsável pelo resultado e pela alta difusão entre os setores.

Em abril, o Índice Geral de Preços – Mercado desacelerou para 1,41%, influenciado principalmente pela estabilização dos preços das commodities agrícolas. No ano, o indicador acumula alta de 6,98% e, em 12 meses, 14,66%. A inflação ao produtor também desacelerou para 1,45% no mês, enquanto os preços ao consumidor saltaram 1,53%.

Maio

Variação mensal da inflação em maio.

A inflação ao consumidor brasileira registrou nova desaceleração em maio, frente às últimas divulgações, avançando 0,47% na comparação mensal. Trata-se da menor variação mensal desde abril de 2021, quando foi verificada alta de 0,31%, e o resultado ficou abaixo das expectativas do mercado, que projetava alta de 0,60%, beneficiado principalmente pela redução dos custos da energia elétrica.

A maior variação ficou por conta do grupo de vestuário, que disparou 2,11% no mês, enquanto o grupo de transportes foi o que mais pesou sobre o indicador, com impacto de 0,3 p.p. diante da alta de 1% no preço dos combustíveis e da disparada da passagens aéreas (18,33%).

A surpresa positiva foi fortemente influenciada pela desaceleração no preço dos alimentos e pela redução da conta de luz em 8%, observada desde a metade de abril, por conta da transição da bandeira tarifária de escassez hídrica para a bandeira verde.

No ano, a inflação já acumula alta de 4,78% e, em 12 meses, soma 11,73%. Apesar da queda em relação a abril, é a maior variação acumulada para maio desde 2003 e, pela primeira vez em quatro anos, ficou acima da variação acumulada em 12 meses do IGP-M, que registrou elevação de 10,72%, ressuscitando o debate sobre a mudança no indexador dos contratos de aluguel. No mês, o índice da FGV avançou 0,52%,com alta de 7,54% no ano. 

Inflação no mundo

A inflação em 2022 não se restringe apenas ao Brasil. Durante o início do ano, diversos bancos centrais ao redor do mundo, principalmente nas economias mais avançadas, já anunciavam seus planos e se preparavam para a retirada gradual dos estímulos injetados na economia à medida que os efeitos da pandemia eram atenuados. No entanto, o choque inflacionário observado este ano, com o aumento acelerado do nível dos preços, surpreendeu as autoridades monetárias globais, fazendo com que revisassem e antecipassem o início do processo de contração monetária.

Nos Estados Unidos, o Federal Reserve (Banco Central Americano) planejava inicialmente elevar a taxa de juros (Federal Funds Rate), que se encontrava em 0%, apenas a partir de 2023. A surpresa inflacionária, no entanto, fez com que a autoridade monetária redobrasse sua atenção à inflação e passasse a tratar o fenômeno como permanente e não mais temporário, antecipando o processo de retirada de estímulos da economia. Desde então, o Fed elevou a taxa de juros em duas oportunidades consecutivas, além de acelerar a elevação para o maior ritmo desde 2000, e o mercado revisou suas projeções para até sete altas neste ano.

A inflação norte-americana, que já caminhava elevada, atingiu seu pico em março, encontrando-se no patamar mais alto desde 1981 e espantando o mercado. Os dados foram influenciados principalmente pela incerteza trazida pela guerra da Ucrânia, com os fortes riscos de interrupção de importantes cadeias produtivas no radar fazendo com que os preços dos combustíveis e alimentos disparassem. No mês, o CPI (Índice de Preços ao Consumidor) avançou 1,2% e, em um ano, acumulou alta de 8,5%, ambos os maiores resultados em quarenta anos. O item que mais contribuiu para a elevação foi o preço da gasolina, que avançou 18,3% em março, encarecendo também os preços da energia.

Assim como o CPI, o PCE, principal medida de inflação utilizada pelo Banco Central dos EUA na tomada de decisão sobre política monetária, também bateu recordes em março, puxado pelas commodities energéticas e agrícolas, e superou os maiores valores registrados desde 1978, aos 6,6%. Já para abril, a inflação medida pelo CPI desacelerou para 8,3% devido à estabilização dos preços dos combustíveis, não obstante, se manteve elevada e acima das expectativas do mercado, com deterioração principalmente do núcleo.

A inflação europeia, historicamente baixa, também tem batido consecutivos recordes ao longo do ano, fechando maio em 8,1% no acumulado de 12 meses, maior resultado para toda a série histórica desde a incorporação do euro como moeda comum, em 1999. Enquanto a meta de inflação estipulada pelo Banco Central Europeu (BCE) gira em torno de 2%, a autoridade monetária sinaliza o início da elevação dos juros apenas para julho, enquanto seu programa de recompra de títulos deve chegar ao fim na próxima reunião.

Os conflitos do leste europeu tiveram ainda mais impacto sobre as economias do continente, que são altamente dependentes das exportações russas, principalmente das commodities energéticas, petróleo e gás natural. Na comparação anual, a inflação de energia da Zona do Euro já atinge 44%. A cautela da autoridade monetária em elevar a taxa de juros também incide na preocupação de enfraquecer a atividade, já sensível com as consequências da guerra.

De acordo com os dados mais recentes, dentre as vinte maiores economias do mundo, a inflação brasileira acumulada em 12 meses ocupa a quarta colocação, ficando atrás apenas da inflação da Turquia, da Argentina e da Rússia.

Guerra entre Rússia e Ucrânia

A despeito da inflação brasileira ter ganhado força ao longo de 2021 e os primeiros desincentivos monetários aparecerem ainda no início daquele ano, a guerra entre Rússia e Ucrânia centralizou as atenções do mundo e desencadeou uma série de efeitos imediatos que inflaram ainda mais o nível dos preços.

Tanto a Rússia quanto a Ucrânia são relevantes produtores agrícolas e possuem grandes reservas de fontes energéticas não renováveis, como gás natural e petróleo. Com a aparição de incertezas pelo lado da oferta, promovidas pelas dificuldades de logística, destruição de capital fixo e perda de mão de obra, e embargos pelo lado da demanda, com a imposição de várias sanções econômicas contra a Rússia, uma das principais consequências do conflito do leste europeu foi a disparada do preço de diversas commodities no mercado internacional.

Para o setor energético, a Rússia é um dos principais fornecedores de petróleo e gás natural do mundo, principalmente para a Europa. O risco constante de desabastecimento, seja por interrupção do fornecimento internacional ou pela imposição de sanções, fez com que os preços das commodities atingissem máximas e se difundissem ao longo de toda a extensão das cadeias de produção. Mais recentemente, a desaceleração da atividade chinesa tem contribuído com o enfraquecimento das pressões de demanda sobre os combustíveis, suavizando seus preços.

No setor agrícola, os grãos foram os principais produtos afetados, com ênfase no trigo e no milho, levando em consideração a grande quantidade produzida e exportada pelos países em questão. Ainda, riscos relativos ao desabastecimento de fertilizantes gerou pânico sobre as projeções para os cultivos futuros. 

 

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