Inflação 2021: entenda por que está tão alta e os setores mais afetados

Os preços dispararam e a inflação de 2021 voltou a preocupar os investidores. Entenda os motivos da alta e quais setores da bolsa são mais afetados.
inflação 2021
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Você que já é inscrito no nosso canal do Telegram vem acompanhando a elevação das expectativas dos economistas para a inflação de 2021 divulgadas no Boletim Focus. Neste artigo, vamos explorar os motivos dessa alta, o impacto na economia e quais setores e ativos são mais afetados.

Inflação 2021

Lembrando que inflação é o evento de aumento dos preços de produtos e serviços. Para 2021, o centro da meta de inflação é de 3,75%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto porcentual para cima ou para baixo. Ou seja, a meta será considerada cumprida se o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) deste ano ficar entre 2,25% e 5,25%.

Entretanto, a inflação de 2021 acumulada até agosto chegou a 5,67%, a maior taxa para o mês desde 2015. E a projeção mais atual do governo para o IPCA deste ano é de 7,90%, conforme a nova grade de parâmetros macroeconômicos divulgada no dia 16/09 pela Secretaria de Política Econômica (SPE), do Ministério da Economia.


Fonte: IBGE

Um dos principais motivos é a crise hídrica, uma vez que a falta de chuvas afeta a agricultura e causa repentina interrupção de oferta de alimentos. Isso, consequentemente, leva ao aumento de preços, pelo excesso de demanda. Os preços dos alimentos também são influenciados pela desvalorização do real frente ao dólar, ao tornar mais vantajoso vender para o exterior do que no mercado local, reduzindo assim a oferta aos brasileiros.

O real desvalorizado também pesa sobre os combustíveis, dado que a política da Petrobras é baseada nos preços internacionais, em dólar. A pressão dos preços dos combustíveis foi tão grande que em agosto o peso do grupo de transportes voltou a superar o da alimentação na composição do IPCA e, por isso, foi o que teve mais impacto no orçamento doméstico.

Desde maio de 2020 a alimentação tinha o maior impacto na inflação, representando 19,97% do IPCA, enquanto os transportes respondiam por 19,85%. Entretanto, em setembro os transportes responderam por 20,99% do IPCA, enquanto a alimentação, 20,94%.

Inflação 2021: gráfico de barras traz a variação mensal por grupos na composição do IPCA
Fonte: IBGE

Inflação: passado, presente ou futuro?

Depois do conturbado período de hiperinflação no Brasil, que durou entre as décadas de 1980 e 1990, houve finalmente o controle inflacionário do país. 

Veja no gráfico abaixo como a implementação do Plano Real em 1994 impactou diretamente na inflação, que saiu de 916,46% no acumulado do ano de 1994, para 22,41% em 1995 e 9,56% em 1996.

O alívio foi generalizado, pois, desde então, a inflação ficou abaixo dos dois dígitos, com exceção de 2002 e 2015. 

Fonte: IBGE. Elaboração própria Gorila

Infelizmente, tudo o que é bom dura pouco. Nos últimos meses estamos vendo uma forte elevação dos preços, e a expectativa dos economistas é que essa tendência só piore.

Vamos entender a seguir os fatores que mais estão afetando a inflação de 2021.

Causas do aumento da inflação 

​​​A inflação pode ter várias causas, vejamos alguns exemplos:

  1. Aumento nos custos de produção: as empresas repassam aos consumidores a elevação dos custos de produção, tornando os produtos e serviços mais caros.

  2. Aumento na demanda: se existe um súbito aumento de demanda e a oferta não é suficiente, o fornecimento fica comprometido. Um exemplo claro é quando vários passageiros começam a pedir o Uber ao mesmo tempo (como quando chove ou em horários de pico) e os preços costumam ficar mais altos.

  3. Diminuição das taxas de juros: quando o Banco Central decide cortar a Selic, o custo de tomar empréstimos diminui, o que libera aumento no volume de produção e no consumo, com mais dinheiro em circulação no mercado.

  4. Emissão do papel-moeda: quando o Governo opta por imprimir mais dinheiro para pagar as dívidas públicas, coloca-se mais moeda em circulação, mas sem necessariamente aumentar a capacidade produtiva e de oferta das empresas. Como vimos anteriormente, mais gente comprando e menos disponibilidade de itens gera aumento dos preços.

Confira a seguir os motivos específicos para a elevação da inflação em 2021.

Perigos da Inflação

Em 2010, a cesta básica na cidade de São Paulo era de R$ 265,15 e o salário-mínimo era de R$ 510. Em dezembro de 2020, a cesta básica custava R$ 631,46. Se não houvesse a correção do valor do salário-mínimo, nos dias de hoje não seria possível sequer comprar uma cesta básica. Isso mostra como, sem um ganho real, a inflação tira o poder de compra do consumidor.

Ademais, a inflação gera incertezas na economia, desestimula investimentos e prejudica o crescimento econômico. Isso porque os preços relativos ficam distorcidos, gerando ineficiências na economia. 

A inflação afeta particularmente as classes menos favorecidas da população, pois essas têm menos acesso a instrumentos financeiros para se defender do aumento dos preços.

Leia mais: Confira 6 investimentos atrelados à inflação para se proteger da alta do IPCA

Além disso, a alta generalizada também aumenta o custo da dívida pública, pois as taxas de juros têm de compensar não só o efeito da inflação mas também têm de incluir um prêmio de risco para contrabalançar as incertezas associadas aos preços elevados.

Por exemplo, o INPC está sendo constantemente revisado para cima. No último relatório, a expectativa para o encerramento de 2021 foi elevada de 6,2% para 8,4%. O incremento do INPC deve pressionar os gastos públicos, uma vez que as aposentadorias e pensões são corrigidas pela inflação.

O Governo estima que para cada 0,1 ponto porcentual adicional de INPC, os gastos serão ampliados em R$ 790 milhões no ano. Com isso, a última elevação das projeções deve representar um gasto adicional de R$ 17,4 bilhões em 2022.

Além disso, como o INPC também baliza o reajuste compensatório do salário mínimo, o aumento deste índice prejudica as contas públicas, à medida que para cada R$ 1 de aumento do salário mínimo, é criada uma despesa de aproximadamente R$ 355 milhões.

O problema é que o Governo já encaminhou ao Congresso o projeto do Orçamento de 2022 considerando uma variação de 6,20% do indicador. Isso deve provocar um estrangulamento nas contas de 2022, o que irá limitar as despesas do governo. Como o Orçamento do ano que vem foi elaborado ocupando todo o espaço do teto de gastos, o aumento na projeção de despesas deve ser compensado com cortes em outras áreas.

Inflação x Juros x Bolsa 

A inflação elevada costuma ser combatida com uma política monetária restritiva, isto é, elevação da taxa básica de juros. 

Entenda em detalhes: Selic e inflação: entenda de uma vez por todas a relação entre elas!

Já é sabido que a inflação e juros altos costumam ser positivos para os ativos de renda fixa. Mas e quanto ao mercado de renda variável?

Bom, de forma geral, a inflação alta e a consequente elevação dos juros afeta negativamente a bolsa de valores. Veja como o ETF BOVV11, ativo que replica o índice Ibovespa, está desempenhando ante a inflação acumulada em 2021.

Gráfico extraído do Gorila exibindo a rentabilidade do ETF BOVV11 comparado ao IPCA
Gráfico do ETF BOVV11 ante o IPCA acumulado entre 05/01/2021 e 17/09/2021 retirado do Gorila

Mas analisando por setor de mercado, o impacto da inflação e juros altos pode ser diferente, por exemplo:

  • Bancos: o setor financeiro tende a se beneficiar de um ciclo de alta da Selic, pois implica em um prêmio maior para remunerar as instituições credoras.

  • Fundos imobiliários: as empresas do setor imobiliário tendem a sofrer com aumentos na Selic, uma vez que o ajuste altista dos financiamentos imobiliários reduz o apetite para a tomada de novos créditos, além de aumentar o grau de inadimplência entre aqueles que já têm contratos.

  • Varejo: as varejistas são prejudicadas com o aumento inflacionário, uma vez que isso reduz o poder de compra dos consumidores. O setor também pode sofrer com a elevação da Selic, já que isso incentiva a redução do consumo para poupar, pois os títulos estão remunerando mais. Além disso, juros mais altos implicam em aumento do custo do crédito, o que causa aumento do endividamento e redução da renda disponível para novos gastos. 

  • Educação: um cenário de crise e de alta da Selic tendem a reduzir investimentos, elevar a taxa de desemprego e a diminuir a renda disponível dos indivíduos. Assim, o consumo passa a ser mais focado nos itens essenciais e as empresas do setor educacional podem sofrer com evasão e inadimplência, além da queda na captação de novos alunos.

  • Exportadores: como vimos, a alta dos juros causa desaquecimento da atividade econômica, com redução de investimento e produção das empresas, e do consumo das famílias. Neste cenário, empresas exportadoras tendem a ser mais resilientes por serem menos dependentes do mercado doméstico.

Leia também: Melhores ações setembro de 2021: altas e baixas

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Confira: Rentabilidade real dos investimentos: aprenda o que é e como calcular

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