O jogo virou ou não para as fintechs?

Players de tecnologia reconhecem que é preciso cautela diante da bolha das fintechs. Entretanto, o amadurecimento da regulação no setor e o Open Finance, entre outros fatores, devem contribuir para que não seja “um inverno tão rígido”. Essa é a opinião de Guilherme Assis, CEO do Gorila.
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Recentemente, diversas startups e fintechs anunciaram demissões em seus quadros de funcionários. A onda de cortes atingiu unicórnios brasileiros como iFood, EBANX, QuintoAndar, Mercado Bitcoin, Loft, entre outros.

O panorama financeiro global, com a alta da taxa de juros e da inflação, foi o principal desencadeador desse momento desfavorável para os players do setor de tecnologia. O tema até foi comentado pelo executivo-chefe do Google, Sundar Pichai.

Mas… será de fato um longo inverno para o venture capital e as fintechs? Ou quem está envolvido com o setor pode alimentar o otimismo quanto a uma retomada breve?

“Deve durar um ou dois anos, por isso os fundadores das fintechs precisam se preparar para esse inverno. Mas as mudanças tecnológicas não vão parar, então as oportunidades existem e vão continuar surgindo”, opina Guilherme Assis, CEO do Gorila

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Em seguida, confira uma análise sobre os investimentos no setor de tecnologia, nas fintechs, além de mais insights do nosso CEO. Boa leitura!

Entenda a bolha das fintechs

Os EUA são a maior economia do mundo e o coração do mercado financeiro pulsa em Nova York. Mas o momento é desafiador: para combater a inflação, o país elevou sua taxa de juros ao maior patamar em 40 anos e interrompeu estímulos lançados durante a pandemia para aquecer a economia – a ordem, agora, é reduzir a liquidez para arrefecer a atividade econômica.

O impacto das medidas é amplo e, junto com a crise na cadeia de suprimentos, atingiu em cheio o setor de tecnologia. Com o propósito de reduzir custos frente à instabilidade econômica, houve cortes de empregos nas big techs e fintechs, interrompendo um longo ciclo de crescimento que nem a pandemia foi capaz de abalar.

Os americanos já falavam há algum tempo da “bolha de ações de tecnologia”, e o que se vê em 2022 são fortes quedas nas ações dos grandes players do setor:

Gráfico desempenho ações big techs 2022
Fonte: Google Finanças

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Os investidores foram se retirando do mercado de ações à medida que mais empresas deixaram de atender às expectativas de lucros, dessa forma, as perdas foram se acumulando.

“Estão acontecendo movimentos tectônicos no mundo, a inflação, a alta de juros do Fed. Com toda a certeza, isso impacta todas as classes de ativos, desde as criptomoedas até o mercado de venture capital, fintechs e tecnologia em geral”, afirma Assis.

A bolha das fintechs será igual a bolha da internet?

No final dos anos 1990, uma crise eclodiu no setor de tecnologia e derrubou as ações das techs em quase 80%. Naquela época, primeiro houve um boom das ações, devido às baixas taxas de juros e aos altos retornos prometidos pelas empresas. Similarmente, algo parecido ocorreu com as fintechs no período de pandemia.

Mas a conjuntura hoje é bem diferente. As big techs dominam o top 10 das empresas mais valiosas do mundo, apesar da recente queda das ações:

valor de mercado empresas
Fonte: Statista

Além disso, a indústria de tecnologia e as fintechs empregam muita gente. Só nos EUA, são cerca de 5,8 milhões de profissionais, de acordo com a Computing Technology Industry Association. No Brasil, são mais de 1,5 milhão, segundo a BRASSCOM.

A projeção também é positiva: o estudo Profissões Emergentes, do LinkedIn, apontou que 9 das 15 profissões em ascensão são relacionadas à área de tecnologia.

Assis destaca, ainda, um outro fator: o papel das fintechs no desenvolvimento e crescimento de empresas de outros segmentos. “Com o Open Finance amadurecendo, a máxima que vai dominar o mercado é atender o cliente onde ele quiser, quando ele quiser. E a tecnologia permite fazer isso bem e em escala.”

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Então… o jogo virou ou não para as fintechs?

Considerando o cenário doméstico, um levantamento da Associação Brasileira de Private Equity e Venture Capital (ABVCAP) e da KPMG apontou que os aportes dos fundos de private equity e venture capital em 2021 foram de R$ 53,8 bilhões, 128% maior no comparativo com 2020.

Contudo, 2022 vem sendo marcado por incertezas. Temos a pressão inflacionária e as altas das taxas de juros aqui e mundo afora, além disso, fatores como a guerra na Ucrânia e as eleições brasileiras trazendo mais interrogações para aqueles que investem em fintechs e outros nichos.

Ainda assim, o ecossistema de fintechs é o mais investido pelos fundos de private equity e de venture capital: R$ 11,6 bilhões foram injetados no setor, um incremento de 8,4% em relação ao mesmo período de 2021.

fundos venture capital, private equity
Fonte: ABVCAP e KPMG

É importante ressaltar que, desse total, R$ 5,1 bilhões saíram dos cofres dos fundos de private equity, que focam em negócios mais maduros. Enquanto os de venture capital, que apoiam empreendimentos em estágio inicial, somaram R$ 6,4 bilhões, valor que representa baixa de 27% em relação a 2021.

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Desse modo, dá para afirmar que o jogo virou negativamente para as fintechs? De acordo com o presidente da ABVCAP, Piero Minardi, não: “O movimento para investimentos no mercado nacional está intenso e confirma o dinamismo e a resiliência do ecossistema empreendedor brasileiro”, disse, em nota à imprensa divulgada em abril.

Já Assis destaca a solidez das fintechs mais estruturadas: “Nesse momento, veremos modelos de negócios ficando pelo caminho por não serem rentáveis e sustentáveis. Mas as empresas de margens mais altas e SaaS (Software as a Service) que estão estabelecidas no mercado conseguem manter essas boas margens e gerar caixa.”

Fintechs: pés no chão antes de decolar novamente

A baixa das ações de tecnologia de alto crescimento, entretanto, é uma realidade. Depois de dois anos de fortes investimentos, a tendência é de desaceleração em 2022, acompanhando o ritmo da economia global. 

Para as fintechs que dependem de investimentos de venture capital, pés no chão e cautela são as palavras de ordem no curto prazo. “Não vejo um inverno tão rígido, mas uma diminuição da ganância e da bolha que estávamos vendo. Acredito na recuperação já nos próximos anos, porque há um pano de fundo estrutural de tecnologia que não mudou”, analisa Assis.

Tendências para a retomada das fintechs

Dados da plataforma de inovação Distrito mostram que existem cerca de 1.289 fintechs no Brasil. No primeiro trimestre de 2022, foram aportados US$ 1,12 bilhão em fintechs, valor que corresponde a 30% do total de 2021. E foram realizados 40 deals, 20% do total apurado em 2021.

Os investimentos neste ano ainda estão aquém dos registrados no ano passado, por outro lado, algumas novidades prometem ser positivas para o setor de tecnologia já a partir de 2023.

As mudanças regulatórias em relação às fintechs, anunciadas pelo Banco Central, devem trazer mais concorrência ao setor, além de inclusão financeira para mais pessoas. Algumas tendências para a retomada de um cenário mais positivo para as fintechs são:

– A implementação do Open Finance;

– O amadurecimento do mercado de criptomoedas e das fintechs deste segmento;

– A difusão do modelo Embedded Finance em novos nichos do mercado.

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“O mercado está evoluindo e a competição entre as fintechs aumentando. Com o Open Finance, veremos cada vez mais diversificação dos investimentos nas carteiras das pessoas, convergindo a necessidade de organização dos investimentos à educação financeira. Esse movimento vai se acelerar junto com a tecnologia e o amadurecimento da regulação”, conclui Assis.

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