Bolha econômica: o que é e como se forma?

Quando ela estoura, muita gente tem problemas. Entenda o que é bolha econômica, por que ela se forma e veja 5 vezes que ela aconteceu na história.
Bolhas de sabão
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Se você sabe um pouquinho de economia, já deve ter ouvido falar de bolha econômica. E talvez também saiba que quando ela estoura, o estrago é grande. 

Quer entender de vez o que é uma bolha econômica, como ela se forma e outras curiosidades sobre esse fenômeno? Continue lendo o artigo!

O que é uma bolha econômica?

Uma bolha econômica acontece quando um ativo é vendido por um preço acima do seu valor real. Ao final dela, quando o mercado se dá conta do erro, ela “estoura”, fazendo os preços caírem rapidamente e causando elevados prejuízos.

Também conhecido como bolha especulativa, esse fenômeno se baseia numa visão distorcida do futuro na hora de precificar. Ou seja, as pessoas especulam que vão lucrar muito ao comprar certo ativo, mas, na realidade, ele vale menos do que o esperado. 

A lei da oferta e demanda afeta diretamente a maneira como as bolhas econômicas são criadas. Isso porque o preço do ativo aumenta quando há uma compra massiva que pressiona a oferta. Então, quanto mais pessoas querendo comprar, mais caro o ativo fica. 

Uma bolha econômica pode acontecer em diversas esferas: em mercados de ações,  de crédito ou no mercado imobiliário, ou ainda em economias inteiras. 

Por que uma bolha econômica se forma?

Existem muitas teorias que tentam explicar por que uma bolha econômica acontece. A maioria delas caminha para a explicação psicológica.

Toca o berrante, Seu Moço!

Alguns estudiosos afirmam que o efeito manada é um dos principais impulsionadores do crescimento das bolhas. Isso é, por instinto, as pessoas repetem o que as outras fazem  sem analisar racionalmente a situação. 

Efeito manada é uma expressão utilizada para descrever a fuga em conjunto de animais de uma mesma espécie. Na prática, ele permite que haja uma rápida absorção das informações de um grupo. Tendemos a manifestá-lo por herança biológica. Por exemplo, ao ver um grupo correndo e gritando na direção contrária à que caminha, você ficará alerta ao possível perigo e provavelmente correrá junto à multidão para se proteger. 

No mercado financeiro, alguns fatores, como a divulgação de uma informação, podem desencadear um movimento irracional de compra ou venda massiva. 

Malandro é malandro, mané é mané

A Teoria do Mais Tolo (Greater Fool Theory) também costuma aparecer na hora de entendermos por que uma bolha econômica se forma. De acordo com essa hipótese, um investidor pode comprar um ativo mesmo sabendo que talvez ele esteja supervalorizado. O motivo? Esse investidor tem a expectativa de conseguir vender o ativo no futuro para uma pessoa mais tola.

A pessoa mais tola compra o ativo com a mesma ideia em mente: vender para alguém mais tolo ainda. E aí chega o momento que um tolo não encontra ninguém mais tolo e a bolha estoura.  Dá para acreditar?

Os tempos são outros…

Hoje, novas tecnologias surgem a todo momento. Por um lado, isso é ótimo, por outro, nem tanto. É muito mais difícil prospectar o futuro de algo que não se tem um histórico a ser analisado. Lembrando que, mesmo com um histórico, não há garantia de sucesso de um mercado. Assim, é difícil ter certeza que determinada tecnologia valerá muito no futuro, o que gera especulações que podem formar uma bolha. 

Ainda, no “lado sombrio da força”, algumas instituições podem se beneficiar diante de uma bolha e induzem sua criação através de manipulações de mercado. A grande mídia também pode veicular notícias que, intencionalmente ou não, alimentam expectativas sobre um ativo. 

Dance conforme a música

Algumas características do próprio mercado financeiro podem fazer com que uma bolha se propague. Por exemplo, a grande parte das ações é comprada por fundos de investimento. E as pessoas que administram esses fundos têm seu desempenho comparado à performance da bolsa como um todo

Se uma pessoa gestora tem a visão de que um ativo popular está supervalorizado e decide não investir nele, talvez ela corra alguns riscos. A hipótese de que o ativo está muito caro pode demorar meses para se confirmar e, com isso, os cotistas do fundo podem reclamar e a pessoa gestora pode até perder o emprego. Ou seja: há um risco em nadar contra a maré e apostar contra o mercado. 

5 estágios do desenvolvimento de uma bolha 

Vale falar sobre os apontamentos do economista Hyman P. Minsky, que, em seu livro pioneiro Stabilizing an Unstable Economy, identificou 5 estágios de uma típica bolha econômica: 

  1. Deslocamento: os investidores percebem um novo paradigma, como uma nova tecnologia ou taxas extremamente atrativas. 
  2. Boom: o ativo central que gera a bolha atrai diversos compradores e se torna popular. Mais e mais investidores aplicam nele por medo de estarem perdendo uma oportunidade.
  3. Euforia: os especuladores tornam-se uma “manada” e fazem o preço do ativo disparar. Nessa fase, o cuidado costuma ser deixado de lado e tentam justificar o alto preço injustificável. A Teoria do Mais Tolo acontece aqui.  
  4. Realização de Lucros: o mercado começa a perceber a bolha: os preços estão muito mais caros do que deveriam estar e as pessoas começam a vender o ativo. 
  5. Depressão: também conhecido como “pânico”, esse é o momento em que o preço do ativo muda seu curso e começa a cair drasticamente, motivado, principalmente, pela vontade dos investidores de liquidar o ativo a qualquer preço. 

Portanto, preço é diferente de valor

O maior investidor de todos os tempos, Warren Buffet, diz que o preço é o que pagamos e valor o que levamos. Em uma bolha econômica, há um descolamento: o preço se torna maior que o valor dos ativos. 

Ainda segundo a lenda do mercado financeiro, as bolhas acontecem por causa da ganância das pessoas. Investidores veem outros ficando mais ricos com determinados ativos e então começam a fazer as mesmas aplicações. Nesse caso, há apenas uma visualização de oportunidade e, por não haver racionalidade, não se sabe, de fato, o que está sendo feito. 

5 grandes bolhas econômicas da história

Como você deve ter percebido, é muito difícil saber se uma bolha econômica está acontecendo ou não. É muito mais fácil descobrir depois que o estrago já foi feito. Por isso, separamos 5 momentos históricos em que uma bolha deu muita dor de cabeça:

1 – Bolha das Tulipas

Considerada a primeira da história, a bolha das tulipas aconteceu no século XVII, onde hoje fica a Holanda. Na época, as tulipas passaram a ser consideradas flores diferentes das demais.

A valorização da flor chegou a um ponto em que um único bulbo de tulipas chegava a custar várias vezes o salário anual de um trabalhador comum e passou a ser negociado pelo preço de uma casa.

As pessoas começaram a vender futuros de tulipas ainda não desenvolvidas. E então a bolha estourou em 1636, quando um comprador não honrou com o contrato. O pânico foi instaurado e as pessoas se deram conta que haviam trocado seus bens por pedaços de vegetação.

O episódio ficou conhecido também como tulipomania, mania das tulipas, febre da tulipa e crise das tulipas. Atualmente, esses nomes também são usados para descrever outras bolhas.

2 – Bolha dos Mares do Sul

Na Inglaterra, no começo do século XVIII, a Companhia dos Mares do Sul tinha o monopólio do comércio com as colônias espanholas da América Latina. A empresa estabeleceu sua primeira rota comercial em 1717 e começou a propagar rumores das maravilhas de suas expedições comerciais – que não eram verdadeiros. 

Com as fake news, o valor das ações disparou. O parlamento britânico chegou a oferecer uma robusta linha de crédito para expandir as operações da Companhia. Não se falava em outra coisa.

Quando os recursos dos pequenos investidores acabaram,  a Companhia dos Mares chegou a fazer empréstimos para que eles comprassem mais de suas ações. Mas, na hora de pagar, muitos não tinham dinheiro suficiente. Isso levou ao desmoronamento dos papéis e fez com que vários bancos e a economia britânica quebrassem.

3 – Bolha.com

Formada entre 1995 e 2000, a bolha ganhou esse nome por causa das empresas de tecnologia da época. Em meio à revolução da internet, diversas empresas listaram ações na bolsa dos EUA. Companhias como MSN, Hotmail, Google, Yahoo e Amazon somaram lucros absurdos e o mercado não parava de inflar.

Todo mundo queria entrar no mundo tecnológico porque a internet era considerada um mercado amplamente promissor. O que não era mentira, certo? O problema é que essas companhias sequer chegavam a lucrar, mas eram negociadas a preços elevadíssimos.

Quando o mercado percebeu que essas empresas nunca conseguiriam obter os exorbitantes lucros imaginados, a bolha estourou e causou muitos prejuízos. 

4 – 1929: a quebra da bolsa americana

Na década de 1920, os EUA vivia um momento de prosperidade econômica pós-primeira guerra. O consumo da população era alto e a taxa de emprego também. Em virtude da boa situação, as pessoas começaram a investir de maneira intensa no mercado financeiro – por meio de muita especulação. 

Com a forte movimentação, os preços na bolsa se elevaram e foi criada uma falsa sensação de prosperidade. Quando as pessoas se deram conta do equívoco, milhões de ações foram colocadas à venda e o mercado despencou. O evento levou à Grande Depressão, a maior crise financeira da história dos Estados Unidos, e que teve consequências globais. 

5 – Bolha do Subprime e a crise americana de 2008

Considerada a mais recente bolha especulativa, ocorreu com a escalada dos financiamentos imobiliários nos Estados Unidos. Desde 1998, com a economia norte-americana decolando, o consumo em alta e as taxas de juros em baixa, o governo começou a liberar crédito massivamente, mesmo para quem não podia arcar com a dívida.

“Subprime” era o nome dado a essa categoria de alto risco de calote onde se encaixavam as pessoas que tomavam empréstimos, mas tinham poucas chances de honrar o pagamento.

Com a disparada dos empréstimos hipotecários, em que os imóveis eram as garantias, a especulação imobiliária aumentou.

Os bancos também passaram a vender CDO’s (Collateralized Debt Obligations) para investidores ao redor do mundo inteiro, a fim de arrecadar mais dinheiro para emprestar.  A proposta era que, ao final dos contratos, os investidores receberiam o dinheiro de volta com juros ainda mais elevados. Na época, houve recomendação das mais diversas agências de classificação de risco.

A partir de 2004, a alta do consumo trouxe a inflação e, para conter a alta dos preços, as taxas de juros também foram elevadas. Com os juros mais elevados, grande parte das pessoas que pegaram empréstimos de segunda linha não conseguiram honrar com seus compromissos e se tornaram inadimplentes, tendo então que entregar seus imóveis aos bancos. As dívidas hipotecárias, na época, somaram mais de US$ 12 trilhões.

Com a elevada inadimplência e a devolução dos imóveis, os preços do mercado imobiliário despencaram e os bancos ficaram sem liquidez. O dia 15 de setembro de 2008 foi um marco para o mercado financeiro, quando o quarto maior banco de investimento dos Estados Unidos, Lehman Brother, decretou falência após ter investido fortemente em CDOs e os investidores sacarem seus dinheiros pela alta aversão ao risco. Então, diversos outros bancos e empresas foram à falência ou foram adquiridos e a economia mundial desacelerou fortemente.

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Como vimos, é difícil ter certeza de que uma bolha econômica está acontecendo. Uma das melhores maneiras de não deixar seus investimentos sofrerem desse efeito é fazer uso da diversificação de carteira.

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