Temporada de balanços: análise e principais resultados do 1T22

Resultados do 1T22 apontam bom desempenho geral das empresas do Ibovespa, com destaque para os bancos e o setor de commodities.
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O Ibovespa chegou a registrar crescimento de 16% em abril, mas perdeu fôlego e recuou para 0,46% no ano, diante da aversão a riscos causada pela alta dos juros nos Estados Unidos e dos temores de desaceleração global em função dos lockdowns na China e da guerra na Ucrânia. Esses fatores foram decisivos nos resultados do 1T22 das empresas.

A pressão inflacionária atinge o mundo todo e puxa os juros para cima no mercado global. No Brasil, o BC vem reconhecendo o desafio de manter a inflação dentro da meta para 2022 (3,5%) e a necessidade de calibrar a alta dos juros.

Ainda assim, as empresas listadas na B3 alcançaram resultados no 1T22 que foram vistos com bons olhos pelo mercado, mostrando que o Brasil se beneficiou do crescimento das ações de valor, da alta das commodities, além do vislumbre do fim do ciclo da alta de juros.

Impactos da guerra na Ucrânia

Não é novidade que a guerra na Ucrânia segue gerando impactos na economia global. A Comissão Europeia reduziu a previsão de crescimento econômico de 4% para 2,7% na Zona do Euro, além de ter elevado a expectativa de inflação para 6,1%, bem acima dos 3,5% projetados no início do ano.

Contudo, a guerra entre Rússia e Ucrânia aumentou a demanda por petróleo no mercado internacional, valorizando a commodity. A alta demanda gera reflexos positivos para as grandes petroleiras, caso da Petrobras. O lucro líquido de R$ 44,561 bilhões da companhia superou todas as expectativas do mercado – adiante, você poderá conferir os principais resultados do 1T22.

Vale lembrar que a alta do petróleo eleva os ganhos das empresas do setor, mas também impacta diretamente o consumidor brasileiro. No primeiro quadrimestre do ano, o diesel subiu 22,6%, a gasolina cerca de 10% e o etanol, 1,39%, segundo a ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustível). 

Lockdown na China também pressiona a inflação

A economia chinesa sofre desaceleração devido à rigorosa política de covid zero no país. Como consequência, o gigante asiático já sofre com a queda no consumo e o aumento do desemprego, além disso, as cidades fechadas inviabilizam exportações, fator que pressiona a inflação.  

Além de ter impactado as empresas nos resultados do 1T22, os efeitos podem continuar no próximo trimestre. A indústria brasileira pode sofrer com a escassez de produtos, já que a paralisação de cargueiros chineses impacta a cadeia global, que, juntamente à guerra na Ucrânia, eleva o risco de aumento da inflação.

Quais setores se destacaram nesta temporada de balanços?

Com a guerra no leste europeu, empresas do setor de commodities tiveram impactos positivos nos resultados do 1T22, a partir da alta de preços desses ativos. Este segmento, mais os bancos, foram representativos no Ibovespa e contribuíram para formar o panorama positivo no cenário nacional, conforme destacamos.

Como vendedora de commodity, a Petrobras se beneficia da alta no preço do petróleo Brent, já que gera mais receita do que custos e vê suas margens aumentarem. Assim, o lucro de R$ 44,561 bilhões registrado pela empresa no 1T22 foi 3.718,4% maior do que no 1T21, quando divulgou ganho de R$ 1,167 bilhão.

No mercado doméstico, ainda tiveram bons resultados no 1T22 as áreas de utilities (empresas de energia elétrica, saneamento básico e gás natural), shoppings centers – que vêm apresentando recuperação contínua com o fim das restrições de mobilidade – e os bancos, beneficiados pela alta dos juros. Bradesco, Itaú e Santander viram os lucros subir 5,9% em comparação com o 4T21, já o Banco do Brasil registrou lucro de R$ 6,660 bilhões, alta de 31,9% em relação ao 1T21.

Diante do poder de compra do brasileiro afetado pela inflação alta, o varejo apresentou resultados mistos. No segmento de alta renda, empresas como Arezzo e Vivara tiveram resultados positivos, porque possuem clientes das classes A e B, menos pressionadas pela alta inflacionária.

Por outro lado, a Magazine Luiza não teve lucro, embora tenha registrado crescimento no faturamento. A empresa sofreu com a inflação e os custos sobre produtos, registrando prejuízo líquido ajustado de R$ 98,8 milhões.

12 principais resultados do 1T22

A seguir, confira o desempenho de 12 empresas que se destacaram nesta temporada de balanços e as movimentações nos ativos após a divulgação dos resultados: 

*Todos os gráficos abaixo foram extraídos do Gorila.

1 – Itaúsa (ITSA4)

No setor financeiro, a holding Itaúsa (ITSA4) registrou alta de 59,1% na comparação com o mesmo período do ano passado, com lucro líquido recorrente de R$ 3,836 bilhões. A empresa anunciou que este foi o melhor primeiro trimestre de sua história. Com lucro recorrente de R$ 7,36 bi no 1T22, alta de 15% na base anual, os resultados do 1T22 do Itaú Unibanco foram beneficiados pelo crescimento da carteira de crédito e melhora da margem financeira.

Após a divulgação do resultado, no dia 16/05, a empresa conseguiu recuperar parte das perdas sofridas nas últimas semanas e, no mês, retornou ao território positivo. 

2 – Bradesco (BBDC4)

O Bradesco superou as expectativas do mercado no 1T22 e registrou lucro líquido de R$ 6,821 bilhões. Apesar do aumento da inadimplência na comparação com o trimestre anterior, em nota, o banco afirmou que está satisfeito com os resultados, considerando as “intensas mudanças globais na política monetária, no câmbio e na inflação”.

No pregão seguinte à publicação do balanço, os papéis do banco emplacaram alta de 2,09%, contornando o tombo da véspera, e, desde então, já se valorizaram 12,75%.

3 – Banco do Brasil (BBAS3)

O Banco do Brasil registrou lucro líquido ajustado de R$ 6,6 bilhões no 1T22, 34,6% acima do mesmo período de 2021, e 11,5% mais alto se comparado ao quarto trimestre de 2021. O resultado, que é um recorde, ficou acima do esperado pelo mercado e foi puxado pelo aumento da margem financeira bruta e da receita de prestação de serviços, além do desempenho positivo do crédito.

As ações do Banco do Brasil subiram 2,55% no dia seguinte à divulgação do resultado da empresa (12/05), voltando a registrar ganhos no acumulado de 30 dias.

4 – Petrobras (PETR4)

No contexto de disparada do preço do petróleo, a Petrobras anunciou o maior resultado financeiro de sua história, com lucro líquido de R$ 44,5 bilhões no primeiro trimestre, valor 38 vezes maior do que o obtido no 1T21. O Ebitda cresceu para R$ 77,7 bilhões, aumento de 58,8% em relação ao 1T21.

Vale lembrar que a petroleira ainda aprovou o pagamento de R$ 48,5 bilhões em dividendos, equivalente a R$ 3,71 por ação. Dessa forma, a estatal promete ser destaque na bolsa ao pagar proventos maiores.

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Os papéis da estatal avançaram 3,3% na sessão seguinte à comunicação do resultado (06/05), encabeçando as altas da semana (8,88%).

5 – Eletrobras (ELET3, ELET6)

Impulsionado pela variação cambial e pelo aumento de 12% da receita bruta, o lucro líquido da estatal foi de R$ 2,716 bilhões, 69% maior na comparação com o 1T21. O Ebitda recorrente atingiu R$ 5,43 bilhões, aumento de 9,6% no mesmo período.

Vale destacar que, no dia 18 de maio, a estatal teve a privatização aprovada pelo TCU (Tribunal de Contas da União) e passou à fase de apresentação de documentos para a CVM (Comissão de Valores Mobiliários), que é responsável pelo mercado de ações no Brasil. A expectativa do governo é iniciar o processo de venda do controle da companhia antes de agosto, quando começa a campanha eleitoral.

Os resultados da estatal agradaram o mercado, com as ações ordinárias e preferenciais da empresa saltando 3,84% e 3,01%, respectivamente, no pregão posterior à divulgação (17/05).

6 – Multiplan (MULT3)

A Multiplan registrou lucro líquido de R$ 171,6 milhões no trimestre, um crescimento de 270,5% em relação ao 1T21. Sua receita líquida também foi recorde para o período, chegando a R$ 420 milhões. Os números apresentados pela empresa mostram que o fim da obrigatoriedade do uso de máscaras fez as vendas acelerarem, fator que contribuiu para os resultados apresentados.

Com o balanço positivo, os papéis da Multiplan avançaram 4,01% no último pregão de abril e responderam pela terceira maior alta da semana.

7 – Vulcabras ((VULC3)

Obtendo resultados operacionais que compensaram a maior despesa financeira no 1T22, a empresa reportou lucro líquido de R$ 53,9 milhões, uma alta de 269,9% em relação ao mesmo período do ano passado. O Ebitda contábil e recorrente avançou 124,1%, chegando a R$ 83,6 milhões.

Desde a publicação do balanço no início do mês, os papéis da empresa de calçados emplacaram uma sequência de altas e, no mês, já acumulam ganhos de 18,01%.

8 – Arezzo (ARZZ3)

Destaque no setor de varejo e consumo, a empresa registrou lucro líquido ajustado de R$ 57,548 milhões no 1T22, um crescimento de 94,4% em relação ao 1T21. A receita líquida cresceu 125% em relação ao 1T19, impulsionada pelo crescimento orgânico e inorgânico. Entre as marcas do grupo Arezzo&Co, a Arezzo apresentou crescimento de 38% em sua receita em relação a 2019, enquanto a marca Schutz cresceu 82% na comparação com o mesmo período.

Apesar dos resultados positivos, a empresa não conseguiu contornar a piora de cenário para o setor varejista e vem registrando consecutivas quedas desde abril.

9 – Gerdau (GGBR4)

Impulsionada pelas operações nos Estados Unidos, a Gerdau registrou lucro de R$ 2,9 bilhões no 1T22, alta de 19% em relação ao mesmo período do ano passado. O Ebitda ajustado de R$ 5,8 bilhões superou as estimativas do Goldman Sachs em 5%. No balanço, divulgado em março, a companhia também anunciou um programa de recompra de até 55 milhões de ações preferenciais, que correspondem a cerca de 5% do total em circulação.

Em meio à alta volatilidade dos ativos da companhia durante o último mês, o mercado olhou com bons olhos a publicação do balanço da empresa, que avançou 2,34% no dia seguinte à divulgação. 

10 – Iochpe-Maxion (MYPK3)

A Iochpe-Maxion, do setor de autopeças, obteve lucro líquido de R$ 160,206 milhões, que corresponde a um crescimento de 211,1% em comparação com o 1T21. O Ebitda foi a R$ 548,152 milhões e representa alta de 49% em relação ao mesmo período de um ano atrás. A companhia se beneficiou do forte desempenho na divisão comercial, que contribuiu para sustentar os níveis de rentabilidade.

Com os fortes ganhos no trimestre, as ações da companhia contornaram as perdas de 4,49% do pregão do dia 09/05 e avançaram 4,63% na sessão seguinte.

11 – Grupo Soma (SOMA3)

Dono das marcas Farm, Animale, Hering e NV, o grupo teve lucro líquido de R$ 42,5 milhões no 1T22, valor 185% maior do que o obtido no 1T21. O sell-out – varejo físico, digital e franquias – rendeu R$ 402,6 milhões e o Ebitda cresceu 345,7%, totalizando R$ 104,3 milhões.

Embora a divulgação do balanço, no dia 12/05, tenha agradado o mercado, o otimismo dos investidores durou pouco e os ativos da empresa seguem em queda.

12 – Irani (RANI3)

No segmento de papel e celulose, a Irani registrou lucro líquido de R$ 112,1 milhões, montante 97,8% maior do que o registrado no 1T21. A empresa atribui o resultado ao aumento da receita líquida e à diminuição de custos, além da margem bruta, que avançou 12,7 pontos percentuais, subindo para 49,3% no 1T22.

Os papéis da companhia fecharam o pregão seguinte à divulgação em queda de 3,05%, mas experienciaram forte alta após a teleconferência da empresa (02/05), avançando 4,88%. Ainda, após o anúncio de pagamento milionário de dividendos, as ações da empresa saltaram mais de 10% no dia 04/05.

E quem teve desempenho ruim no 1T22?

Diante do cenário de aceleração da inflação e melhora da pandemia de Covid-19, a maioria das empresas superou as expectativas na B3 após a temporada de balanços do primeiro trimestre do ano.

Contudo, houve exceções. O varejo discricionário, que comercializa itens não essenciais, foi prejudicado pela alta no desemprego, que atinge mais de 11,1% dos brasileiros (11,9 milhões de pessoas). Já a alta dos juros impactou as incorporadoras imobiliárias.

No setor de siderurgia e mineração, a Vale (VALE3) viu uma queda nos principais indicadores financeiros, registrando lucro líquido de US$ 4,458 bilhões, 19,6% menor em relação ao 1T21.

Em abril, o segmento de mineração recuou devido aos efeitos dos lockdowns na China, prejudicando as ações da Vale. 

O segmento de saúde também não atendeu às expectativas do mercado e viu a Hapvida (HAPV3) decepcionar ao reportar uma queda de 69,9% no lucro ajustado em relação ao 1T21, um total de R$ 78,1 milhões. O Ebitda recuou 11,3% na comparação do mesmo período. Os resultados já consolidam a fusão de negócios com a NotreDame Intermédica, concluída em fevereiro.

Os resultados abaixo do esperado, com diminuição no número de planos e aumento da sinistralidade caixa fizeram com que as ações da Hapvida desabassem quase 17% no pregão do dia 17/05.

Outras empresas que tiveram resultados abaixo do esperado foram Aeris (AERI3), Carrefour (CRFB3), BRF S.A. (BRFS3), Grupo Pão de Açúcar (PCAR3), Magazine Luiza (MGLU3), Multilaser (MLAS3), Raia Drogasil (RADL3), Rede D’Or (RDOR3), Usiminas (USIM5) e Via Varejo (VIIA3).

Cenário nos próximos meses

Encerrada a temporada de balanços do 1T22, já é possível enxergar alguns fatores que podem determinar como serão os próximos meses no mercado doméstico. A expectativa é que:

  • Empresas do segmento de commodities continuem apresentando alta nos resultados;
  • A inflação alta siga impactando negativamente setores relacionados ao consumo;
  • O encerramento gradual do lockdown na China aumente ainda mais a demanda por petróleo, já que o país é um grande consumidor da commodity;
  • Um cenário de aumento de juros nos Estados Unidos torne os títulos do tesouro americano mais atrativos, fortalecendo o dólar com a demanda dos investidores por esses ativos. O Brasil e os demais países emergentes podem ser impactados pela fuga de capitais para os EUA.

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