O que é tapering e como impacta a política monetária

Sabe o que é tapering? Esse termo vem tomando conta dos noticiários de política monetária no pós-pandemia e te contamos tudo aqui!
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A semana de decisão da política monetária americana sempre movimenta o mercado e deixa os investidores apreensivos. Muito além da elevação, redução ou manutenção da taxa de juros, o mercado se atenta para o tom do comunicado do Banco Central, para a orientação de movimentos futuros (forward guidance), para as expectativas dos agentes econômicos e quais estratégias a autoridade monetária deve adotar para atingir seus objetivos. 

Assim como a taxa de juros, a compra ou venda de títulos públicos é um dos mecanismos pelos quais o BC pode interferir no mercado financeiro a fim de garantir sua estabilidade. Enquanto políticas expansionistas de compra de títulos são mais conhecidas (Quantitative Easing), políticas para retirar a liquidez do mercado, como o tapering, são tão importantes quanto. Continue a leitura para descobrir o que é tapering e como ele impacta a política monetária de diversos países. 

O que é o Tapering?

Primeiro, vamos explicar o que é tapering. O termo Tapering vem do inglês e pode ser traduzido como estreitamento, aperto ou afunilamento. Na economia, o processo de Tapering se refere à estratégia de retirada dos estímulos monetários injetados na economia. Embora não seja tão conhecido, o termo sempre retoma ao noticiário após reuniões e pronunciamentos do Banco Central americano (FED).

O tapering é utilizado pela autoridade monetária para a retirada dos estímulos introduzidos à economia. Efetivamente, o tapering é o processo de redução da compra de títulos públicos ou outros ativos pelo Banco Central, como se fechássemos a torneira de liquidez do mercado. Como uma prática contracionista, seu objetivo é evitar um superaquecimento da economia e prevenir um quadro hiperinflacionário. 

Quando surgiu o tapering?

A expressão foi introduzida ao mercado financeiro em 2013. Na época, após a adoção de uma política monetária bastante expansiva pelo Federal Reserve em resposta à crise financeira de 2008, em que a autoridade monetária despejou grande liquidez na economia através da compra de títulos públicos e outros ativos (Quantitative Easing (QE)), o então presidente do FED, Ben Bernanke, anunciou o início do processo de redução do ritmo dessas compras.

O mercado não respondeu de forma tão positiva ao fim dos incentivos, temendo a retirada do suporte dado pelo Banco Central americano. Com a redução da demanda por títulos públicos, o mercado iniciou um movimento de venda dos treasuries americanos, o que resultou na queda do preço dos títulos, fazendo com que as taxas de juros disparassem.

O anúncio do fim do QE não refletiu apenas no mercado de títulos. Investimentos em renda variável se desvalorizaram, ao passo que mercados emergentes e commodities despencaram, com os investidores buscando maior proteção aos riscos.

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Por que falar sobre tapering agora?

O tema voltou ao radar no meio de 2021, quando o FED anunciou o início do processo de tapering para o final de novembro. Assim como em 2008, o Banco Central americano inseriu fortes incentivos na economia dos Estados Unidos para mitigar os impactos da pandemia sobre a atividade e sobre o mercado financeiro.

Com o processo de vacinação bastante avançado e a economia se recuperando em um ritmo superior às expectativas, a partir de novembro, o FED anunciou o início do processo de redução do ritmo de compras de ativos, diminuindo em US$ 10 bilhões por mês a compra de títulos do tesouro e em US$ 5 bilhões, títulos de hipoteca. A expectativa era de que ao final de novembro, o balanço do Banco Central crescesse US$ 70 bilhões por mês em treasuries e US$ 35 bilhões em títulos de hipoteca, enquanto, para dezembro, o ritmo caísse para US$ 60 bilhões e US$ 30 bilhões.

Na reunião de dezembro, o FED aumentou o ritmo de redução, anunciando diminuição de US$ 20 bilhões por mês para títulos do tesouro e US$ 10 bilhões de títulos de hipoteca. O Banco Central passaria, em janeiro, a comprar US$ 40 bilhões por mês em treasuries e US$ 20 bilhões em títulos de hipoteca.

Na reunião de janeiro, com dados da inflação norte-americana surpreendendo a cada divulgação, a autoridade monetária anunciou que a reunião de março marcaria o encerramento do ciclo de tapering iniciado em 2021 e ainda indicou a possibilidade de redução do balanço do FED em algum momento ainda em 2022. Alguns membros do comitê ainda apoiavam a finalização do tapering antes mesmo dessa reunião, buscando demonstrar um posicionamento inflexível do BC diante da inflação e seu comprometimento com a ancoragem das expectativas.

Mas a estratégia de tapering não é exclusividade do FED

No dia 10 de março, o Banco Central Europeu (ECB) comunicou a aceleração do encerramento do seu programa de compra de ativos. A partir de março, o programa emergencial de compra de ativos (PEPP), introduzido pela autoridade monetária europeia  para conter os danos causados pela pandemia, chega ao fim e o então programa corrente (APP) deve seguir.

A princípio, o programa vigente propunha a redução gradual dos estímulos monetários, de € 40 bilhões/mês no 2º trimestre para € 30 bilhões/mês no 3º trimestre e € 20 bilhões/mês no 4º trimestre. Após a última reunião, levando em consideração os novos dados disponíveis para a atividade e inflação somados aos efeitos da guerra sobre as principais commodities agrícolas e energéticas do mundo, para as quais há grande dependência da Rússia, o Banco Central da Europa optou por aumentar o ritmo de redução da compra dos ativos para € 40 bilhões em abril, € 30 bilhões em maio e € 20 bilhões em junho. 

Para o que se atentar?

O quadro inflacionário mundial pós-pandemia, com a alta dos preços atingindo níveis recordes em diversas economias desenvolvidas, vêm forçando os principais bancos centrais mundiais a retirar os estímulos monetários mais cedo do que o esperado. Enquanto a expectativa inicial do FED era de subir a taxa de juros apenas em 2024, hoje o mercado já estipula até cinco altas para esse ano.

A erupção dos conflitos entre Rússia e Ucrânia deve ainda intensificar a retirada da política monetária expansionista, uma vez que a interrupção de cadeias produtivas globais e gargalos de oferta vem acelerando o preço de diversas commodities, como petróleo e trigo. 

Tendo em vista o cenário de retirada da política monetária acomodatícia e a aceleração do processo de tapering do Federal Reserve e de outros bancos centrais, os mercados emergentes ficam mais apreensivos. Enquanto a maior liquidez ao redor do mundo propiciou a forte entrada de capital estrangeiro em mercados mais arriscados e com maiores diferenciais de juros, o estreitamento da política monetária deve causar o movimento oposto. 

A elevação da taxa de juros americana, ainda que tímida, sinaliza um período de maior aversão a riscos dos investidores, em que títulos de mercados desenvolvidos acabam sendo beneficiados. Essa mudança nas preferências também deve fortalecer o dólar frente a outras moedas globais pela saída da moeda das demais economias. Tal movimento tem o potencial de iniciar um novo ciclo de desvalorização cambial aqui no Brasil e, por consequência, colocar pressão para que o ciclo de alta de juros aqui seja maior.

Conclusão

Este período de taxas de juros mais elevadas e menor liquidez no mercado com a conclusão do processo de tapering americano é um bom momento para se atentar a seus investimentos e quais tipos de risco está disposto a tomar.

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