Cartas do Gestor (Agosto 2026): AI Summary
O artigo a seguir foi inteiramente elaborado por meio de inteligência artificial (AI), confira:
O que todas as cartas veem em comum
Quatro leituras aparecem em praticamente todas as gestoras. A primeira é o diagnóstico do choque externo: o Oriente Médio como principal vetor do mês, com uma nuance recorrente — o que preocupa não é tanto o barril, e sim os derivados, já que diesel e gasolina são os que transmitem o choque para frete, agricultura e inflação de bens. A segunda é a avaliação sobre o Fed: a manutenção dos juros importou menos do que a comunicação de Warsh, descrita de forma quase unânime como pouco clara quanto à função de reação, o que ampliou o prêmio nos vencimentos longos e inclinou a curva americana. A terceira, e talvez a mais notável pela convergência, é a interpretação da queda das ações de inteligência artificial como evento técnico de posicionamento e desalavancagem — ETFs alavancados, estratégias de momentum e investidor alavancado asiático, com o Kospi acionando circuit breakers —, e não como deterioração de fundamentos; a temporada de balanços das hyperscalers, com crescimento forte de cloud e capex revisado para cima, é citada por várias casas como validação da tese. A quarta é o descolamento do Brasil: inflação abaixo do esperado, atividade perdendo dinamismo, continuidade dos cortes de 25 pontos-base, bolsa e real em alta, mas com a ponta longa da curva ainda pressionada pelo fiscal e pelo calendário eleitoral. Daí decorre uma postura comum a quase todas: risco doméstico pequeno e tático, à espera de mais visibilidade sobre outubro.
Onde as cartas fogem do consenso
As divergências relevantes estão menos no diagnóstico e mais no que ele implica. A mais forte diz respeito à inflação brasileira: enquanto a maioria projeta IPCA entre 4,6% e 5,1% e um ciclo prolongado de cortes, a Adam Capital classifica o alívio de julho como conjuntural e temporário, ligado à sazonalidade e à intervenção nos combustíveis, projeta 2027 pelo menos um ponto percentual acima de 2026 e discorda da adequação do ciclo do Copom — leitura próxima à da TAG, que trata a inflação como consequência inevitável da dominância fiscal e questiona o próprio CDI como ativo livre de risco. A segunda divergência é sobre o sinal da inteligência artificial: para a Dahlia, ela pode ser a maior força desinflacionária da próxima década; para a Adam, a evidência desde 2024 aponta o oposto, com o ciclo de investimento pressionando preços de bens, memória e eletrônicos. A terceira está no Fed: Exploritas e Kinea esperam alta de juros ainda este ano — a Exploritas lendo o comentário de Warsh sobre a curva como endosso da alta precificada para setembro —, enquanto a Legacy avalia que a postura mais branda pode ser um erro de política monetária e a Verde assume explicitamente uma posição de humildade epistêmica diante de um Fed que surpreendeu todos os lados. A quarta é eleitoral: contra a precificação de 70% a 80% de chance para o candidato do governo, Quantitas, Kínitro e Vista Capital argumentam que a disputa é bem mais apertada do que o mercado assume, apoiadas na rejeição ao incumbente. E há duas discrepâncias de posicionamento que valem o registro: a Vista Capital carrega uma tese vendida em petróleo via Petrobras justamente no mês em que o mercado comprou energia, avaliando que a empresa negocia em máximas de múltiplos com geração de caixa fraca; e, no crédito, a Sparta descreve um equilíbrio frágil com preços caros sustentados pela ausência de vendedores, enquanto a AZ Quest relata normalização com spreads estáveis a ligeiramente fechados. Por fim, a Kinea adiciona a ressalva mais incômoda ao consenso otimista com tecnologia: se nenhuma empresa pode parar de investir sob risco de ficar para trás, a máquina de capex talvez só seja parada pelo mercado de dívida.
Adam Capital
A carta de gestão da Adam Capital afirma não haver evidência de recessão e avalia que o fundamento econômico melhorou na margem, com o núcleo do PCE recuando para 2,9% anualizado no segundo trimestre enquanto a demanda privada doméstica cresceu cerca de 4%. A gestora ressalta que seu modelo superestimou a inflação trimestral americana pela primeira vez desde 2024, mas considera a evidência insuficiente para sustentar a tese desinflacionária: para ela, o pesado ciclo de investimentos em inteligência artificial tem exercido pressão majoritariamente inflacionária. Sobre o mercado acionário, aponta a maior dispersão entre índices americanos em mais de um ano — Nasdaq-100 recuando cerca de 7% e S&P 500 Equal Weight subindo cerca de 1% — e classifica a volatilidade como evento de posicionamento, e não de fundamento, com desalavancagem operada simultaneamente por dimensionamento automático de carteiras, ETFs alavancados e investidores alavancados com crédito no mercado coreano. A temporada de balanços, na leitura da casa, validou a tese: a receita de cloud das três grandes plataformas soma crescimento de 43% no ano, com margens em expansão e base de clientes mais diversificada. No Brasil, considera o alívio inflacionário conjuntural e temporário, ligado à sazonalidade e à intervenção nos combustíveis, e projeta 2027 acima de 2026, com El Niño nos alimentos, inflação de bens pressionada por memória e tecnologia e serviços rodando perto de 6%; no fiscal, aponta déficit nominal em 10% do PIB e necessidade de superávit primário próximo de 4% do PIB para estabilizar a dívida, com juro real das NTN-Bs acima de 8%. O posicionamento mantém compras em tecnologia americana e no dólar, com hedges vendidos em ouro e euro, exposição líquida vendida no Ibovespa, posições tomadas em juros nominais e inflação implícita e postura cautelosa com ativos domésticos.
Clique aqui para ler a carta da Adam Capital na íntegra
Alaska Asset Management
A carta mensal da Alaska Asset Management destaca que, no cenário internacional, julho foi marcado pela volatilidade decorrente das tensões geopolíticas no Oriente Médio e pela divulgação de indicadores de inflação e atividade nos Estados Unidos: a intensificação dos atritos entre americanos e iranianos, com ameaças ao tráfego marítimo no Estreito de Ormuz e no Mar Vermelho, impulsionou temporariamente o petróleo e pressionou os rendimentos dos títulos públicos americanos. Na segunda metade do mês, dados mais fracos de inflação e emprego e a manutenção da taxa de juros pelo Federal Reserve reduziram a aversão ao risco, com o petróleo devolvendo parte dos ganhos e o dólar perdendo força frente às principais moedas, enquanto o setor de tecnologia foi pressionado pela abertura das taxas longas. No mercado doméstico, os ativos brasileiros tiveram desempenho positivo, com IPCA e IPCA-15 abaixo das expectativas reforçando o processo de desinflação e consolidando as apostas de corte da Selic, o que promoveu fechamento da curva e sustentou o Ibovespa em alta de 3,47%, aos 177.999 pontos, e o dólar em queda de 1,72%, a R$ 5,07, apesar de episódios pontuais de volatilidade ligados às discussões fiscais e às pesquisas eleitorais. Nos fundos, as carteiras institucionais e previdenciárias tiveram desempenho negativo e inferior ao Ibovespa, com contribuição positiva do setor de energia e negativa de consumo cíclico; o Alaska Black registrou desempenho negativo em ações, com contribuição positiva da posição vendida em dólar contra o real; e o Alaska Range teve retorno positivo em renda variável, juros e câmbio.
Clique aqui para ler a carta da Alaska Asset Management na íntegra
AZ Quest
A carta mensal da AZ Quest, sob o título “Entre a Desaceleração e os Riscos Geopolíticos”, descreve um cenário global mais desafiador, com a possibilidade de restrições ao fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz pressionando os preços de energia e trazendo de volta o risco de inflação mais persistente. Nos Estados Unidos, o PIB do segundo trimestre cresceu 1,5% em termos anualizados, abaixo do esperado, mas com composição favorável — consumo das famílias em alta de 3,2% e demanda doméstica privada final de 3,9% —, enquanto o núcleo do PCE avançou 0,13% no mês e desacelerou a 3,3% em doze meses; o Fed manteve a taxa entre 3,5% e 3,75% em uma das decisões mais divididas dos últimos anos, e a comunicação de Warsh, que reforçou o PCE como referência formal mas evitou se comprometer com uma direção, resultou em desvalorização do dólar e aumento da inclinação da curva. A carta registra ainda PIB de 0,4% na Zona do Euro com núcleo em 2,5%, postura mais neutra do Banco da Inglaterra, dados mais fracos na China com o Politburo reconhecendo ambiente desafiador e intervenção coordenada no iene acompanhada de comunicação mais firme do Banco do Japão. No Brasil, com atividade convergindo ao potencial, moderação no mercado de trabalho e rendimentos recuando pelo segundo mês, a gestora revisou o IPCA de 2026 de 5,3% para 5,0%, manteve 4,5% para 2027 e projeta Selic a 13,25% no fim de 2026 e 12,00% em 2027. Entre as estratégias, a macro teve contribuição próxima da estabilidade, com a aplicada em juros nominais reforçada na virada do mês; o Total Return recuou 0,10% com detração de telecomunicações e construção civil; o crédito seguiu normalizando, com o Luce rendendo 1,35%; os sistemáticos avançaram cerca de 1,8% nas famílias long only e 2,5% nas long short; e, na arbitragem, o Low Vol rendeu 0,98% e o Termo 1,23%.
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Azimut
A carta mensal da Azimut descreve julho como um mês de sinais opostos entre Brasil e exterior. Nos Estados Unidos, os indicadores de trabalho decepcionaram — com perda de 23 mil empregos contra expectativa de criação de 80 mil e revisões para baixo —, a inflação surpreendeu positivamente e o FOMC manteve a taxa com três dos doze membros votando por alta de 25 pontos-base; a opção de Warsh por não oferecer sinalização desencadeou um sell-off nos títulos longos, com a Treasury de 10 anos indo de 4,46% para 4,73% e a de 30 anos tocando 5,3%. No Brasil, o IPCA-15 avançou apenas 0,06% e o desemprego ficou em 5,4%, mas o alívio se concentrou na parte curta: o DI Jan/31 subiu de 14,16% para 14,38%, pressionado pelo risco fiscal e pelo calendário eleitoral, e o Copom confirmou o corte da Selic para 14,00% em 5 de agosto com comunicado mais austero. A gestora destaca a divisão também na renda variável, com Ibovespa em alta de 3,47% contra Nasdaq em queda de 3,20% e Nikkei de 8,14%, e a valorização do real sustentada pelo carrego elevado e pelo petróleo perto de US$ 90. No crédito, o IDEX-CDI subiu 2,04% no mês, com destaque para a homologação do plano de recuperação extrajudicial da Raízen, enquanto a indústria de multimercados registrou saída de R$ 5,55 bilhões. As diretrizes de alocação mantêm os indexados à inflação, preservam exposição reduzida a prefixados, seguem seletivas em crédito, reduzem multimercados e adotam viés mais positivo em renda variável americana após a correção.
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Bahia Asset Management
A carta da Bahia Asset Management aponta que julho foi marcado pela correção nas ações beneficiárias dos investimentos em inteligência artificial — produtoras de chips de memória, fibra ótica e resfriamento —, motivada por aumentos de capacidade, competição chinesa e redução de risco, e pelo recrudescimento do conflito no Oriente Médio. Nos Estados Unidos, os dados reforçaram a leitura de uma economia resiliente, com núcleo do PCE abaixo do esperado, e o FOMC manteve a taxa com três votos a favor de alta, enquanto Warsh adotou tom mais dovish, deu maior peso ao conceito de “inflação subjacente” e argumentou que parte do aperto já estaria sendo feita pela repreciação do mercado de juros. A gestora destaca ainda o BCE em compasso de espera com o mercado antecipando alta em setembro, dados fracos do segundo trimestre na China sem novos estímulos relevantes do Politburo, e um Banco do Japão mais hawkish na mesma semana da intervenção conjunta no iene. No Brasil, a inflação trouxe surpresa baixista relevante, puxada por alimentação e núcleos, a atividade veio em sua maioria abaixo das expectativas e o mercado de trabalho seguiu apertado, favorecendo a continuidade do ciclo de calibração do Copom. Nos fundos, a bolsa brasileira foi destaque global no mês, com ganhos em posições relativas de iene contra yuan e libra e em vendido no dólar, e perdas em inclinação na África do Sul e em países desenvolvidos; nas carteiras de ações, as maiores contribuições vieram de Bradesco Saúde e Ultrapar, com detração concentrada nas incorporadoras de baixa renda.
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Dahlia Capital
A carta da Dahlia Capital, intitulada “Um novo fed”, descreve os Estados Unidos em uma espécie de animação suspensa: nem expansão exuberante nem recessão à vista, nem desinflação consolidada nem nova espiral de preços. Para a gestora, o mercado de trabalho ficou difícil de rotular — fraco demais para pressionar a inflação, mas ainda não fraco o suficiente para obrigar o Fed a cortar juros. A casa discute a inteligência artificial como possível maior força desinflacionária da próxima década, mas ressalta que a ordem dos acontecimentos importa: antes do ganho de produtividade, a onda de investimento em data centers, semicondutores, energia e infraestrutura digital consome capital, energia e mão de obra especializada e pode pressionar preços para cima. O ponto central da carta é a mudança de comunicação sob Kevin Warsh, com cinco forças-tarefa e a intenção de trocar estatísticas oficiais defasadas por dados privados em tempo real, apontando para um Fed que fala menos sobre o futuro e mais sobre como reage ao presente — mais disciplinado, porém menos previsível, o que tende a exigir prêmio de risco maior. Segundo a gestora, o movimento relevante dos próximos meses pode não estar na taxa básica, mas no term premium, na volatilidade dos juros e na crença no chamado “Fed put”; para emergentes, o ambiente é misto, melhor que uma reaceleração estrutural da inflação americana, mas pior que um ciclo clássico de corte bem comunicado. No posicionamento, o Total Return manteve o nível de risco, seguindo com redução em ações no Brasil e aumento nos Estados Unidos e alguns hedges em moedas; o Macro Global segue comprado em ações americanas e de emergentes, com foco em tecnologia; e o Dahlia Ações mantém posições em bancos, energia elétrica e cíclicos domésticos.
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Exploritas
A carta do time de gestão da Exploritas identifica como principal tema internacional a abertura das curvas de juros dos países desenvolvidos, impulsionada pelo forte aumento de capex das empresas de tecnologia em data centers, que pressiona os mercados de crédito privado e compete com as necessidades de financiamento do setor público americano — movimento reforçado pela tentativa japonesa de estimular a repatriação de recursos de fundos de pensão. Sobre o Fed, a gestora interpreta que, ao aprovar o trabalho feito pela curva, Warsh incluía a alta de 25 pontos-base precificada para setembro, e acredita que o comitê entregará esse aumento, ajudando a acalmar a ponta longa. Os ativos brasileiros se comportaram bem no mês, em especial a curva de juros, com o câmbio calmo sustentado pela resiliência das contas externas, pela condição de exportador líquido de petróleo e pela tranquilidade na conta capital; sem estresse cambial relevante, a casa vê como difícil um novo ciclo de alta de juros pelo Banco Central. Localmente, além da eleição, ganha corpo a preocupação com o endividamento das famílias e a alta da inadimplência, com paralelo ao ciclo pós-2014, e o mercado deve seguir atento aos sinais fiscais dos candidatos — a gestora vê com bons olhos os recados recentes do Tesouro Nacional e os alertas da Moody’s sobre possíveis rebaixamentos. Nos fundos, o Marathon ganhou 2,26%, com destaque para Vamos e Cosan, e o Alpha América Latina 1,55%, puxado pelo livro de ações; ambos seguem aplicados no meio e na parte longa da curva de juros reais e comprados em ações domésticas, com pequenas posições em Argentina e Chile.
Clique aqui para ler a carta da Exploritas na íntegra
Genoa Capital
A carta mensal da Genoa Capital aponta que o crescimento da atividade doméstica americana permaneceu robusto no segundo trimestre, com consumo em ritmo acelerado e investimento surpreendendo positivamente pelo ciclo de inteligência artificial, enquanto a inflação surpreendeu para baixo em junho — conjunto que abriu espaço para o Fed manter a taxa, ainda que com três votos favoráveis a uma alta e com menos sinalização ao mercado. No Brasil, a desaceleração tem se tornado mais visível na margem, com PIB próximo da estabilidade no segundo semestre e crescimento de 1,6% no ano excluída a indústria extrativa, acima do potencial estimado entre 1,0% e 1,5%; a gestora projeta IPCA de 5,0% em 2026 e 4,5% em 2027, com riscos altistas apenas parcialmente incorporados, como El Niño, PEC 6×1 e reforma tributária. No campo fiscal, alerta que a dívida bruta cresce mais de 4 pontos do PIB por ano e que o baixo crescimento potencial, o uso intenso de mecanismos parafiscais e uma arrecadação turbinada pela posição cíclica devem expor uma posição mais frágil adiante. Com o Copom reduzindo a Selic para 14,00%, a casa espera continuidade dos cortes no modo reunião a reunião, avaliando como alta a barra para interromper o ciclo antes das eleições. No mês, o Radar rendeu 0,99%, com ganhos em juros e moedas globais e em juros locais e detração de renda variável e câmbio local; o Arpa recuou 4,47%, impactado por semicondutores e industriais americanos e por construção civil doméstica; e o Sagres subiu 2,13%.
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Kapitalo Investimentos
A carta do gestor da Kapitalo informa que o fundo K10 teve retorno de -0,53% em julho contra 1,22% do benchmark, com os livros de bolsa e commodities como principais detratores. A gestora comprou a parte curta da curva de petróleo e segue vendida nos contratos mais longos, avaliando que a normalização da produção deve gerar excesso de oferta relevante em 2027, e observa que o mercado chegou às vésperas da reunião do Fed precificando 35% de chance de alta, com Warsh sendo evasivo e deixando a impressão de uma função de reação mais branda. O tema central da carta é a queda das ações de tecnologia, exacerbada pela liquidação forçada de um grande fundo norte-americano e precedida por sinais técnicos de exagero, como a alavancagem do investidor de varejo asiático, sobretudo sul-coreano, o aumento da volatilidade implícita e a maior dispersão no índice. Com o posicionamento mais equilibrado, a casa aumentou exposição a semicondutores — especialmente memória — e fibra óptica, apostando em um ciclo de negócios mais longo do que o precificado pelo consenso, apoiada na sinalização das hyperscalers sobre retorno do capital investido. No Brasil, a inflação veio bastante abaixo do esperado com desaceleração dos núcleos, e a combinação de leve afrouxamento do mercado de trabalho, alto endividamento das famílias e fiscal menos expansionista deve resultar em atividade mais fraca à frente, o que levou a gestora a aumentar marginalmente as posições aplicadas na parte curta da curva. Entre as demais posições, seguem compradas em peso chileno e dólar, vendidas em euro e libra, aplicadas em juros no Brasil, Suécia, Reino Unido e África do Sul, vendidas em café e compradas em milho.
Clique aqui para ler a carta da Kapitalo na íntegra
Kinea
A carta do gestor da Kinea, intitulada “Dr. Strangelove”, recorre ao filme de Stanley Kubrick para tratar de quatro guerras que, na visão da casa, definirão os mercados: Irã, Ucrânia, a corrida da inteligência artificial e a eleição brasileira. Na bolsa global, a gestora aponta uma dicotomia curiosa no mercado americano — má performance da cadeia de I.A. e bom desempenho dos demais setores — e descreve o capex das grandes empresas de tecnologia sob a lógica da destruição mutuamente assegurada: nenhuma pode parar de investir sem correr o risco de ficar para trás, o que transforma a corrida em uma máquina que ninguém consegue desligar e que, possivelmente, só será parada pelo mercado de dívida. Por isso prefere concentrar exposição nos gargalos físicos de difícil solução, como equipamentos para semicondutores, TSMC e memória, evitando as áreas de maior commoditização, como modelos e hyperscalers, e cita como sinais de alerta a garantia de dívida oferecida pela Nvidia para data centers da OpenAI e emissões com baixo grau de cobertura por parte de Amazon e BlackRock. Em commodities, avalia que a nova escalada não alterou a leitura de que a negociação segue como desfecho mais provável, mas observa que a combinação dos conflitos no Golfo e na Ucrânia pressiona os destilados, deslocando a atenção dos bancos centrais do barril para o diesel, e mantém viés altista em grãos com o risco de volta ao Mar Negro. No Brasil, considera o mês morno no campo doméstico, com barra alta para o Copom não entregar o próximo corte, e compara o governo ao Major Kong cavalgando a bomba fiscal rumo a outubro, mantendo a visão de que o desafio fiscal terá de ser enfrentado em 2027 por qualquer que seja o eleito — moderação que, somada à desaceleração do emprego, abriria espaço para mais cortes naquele ano; enquanto isso, segue com posições pequenas e táticas em juros. Nos Estados Unidos, ainda espera novas altas neste ano, avaliando que Warsh precisa convencer o mercado de que reagirá antes que o choque de combustíveis contamine a inflação subjacente; nas moedas, mantém as vendidas em peso mexicano e divisas europeias, aumentou as compradas em asiáticas, com destaque para won sul-coreano e iene, e reduziu a comprada em dólar.
Clique aqui para ler a carta da Kinea na íntegra
Kínitro Capital
A carta mensal da Kínitro Capital detalha que a reescalada entre Estados Unidos e Irã gerou treze noites de bombardeios, o fechamento do Estreito de Ormuz e a extensão das tensões ao Mar Vermelho, com o Brent saltando de cerca de US$ 70 para uma máxima de US$ 100 em 23 de julho antes de voltar à faixa de US$ 90. Nos Estados Unidos, o payroll de junho desacelerou para 57 mil vagas e o núcleo do PCE avançou 0,13% no mês, mas segue rodando a 3,3% em doze meses; o Fed manteve os juros com três dissidências e o mercado passou a atribuir cerca de 65% de chance de alta em setembro. No Brasil, o IPCA-15 avançou 0,06% contra 0,22% esperado, desacelerando o acumulado a 4,52% com melhora qualitativa, o que levou a gestora a reduzir a projeção de IPCA de 5,2% para 5,1% em 2026 e de 4,9% para 4,7% em 2027, enquanto o tracking do PIB do segundo trimestre recuou para 0,4%. A curva consolidou o corte de 25 pontos-base em agosto e atribui 60% de probabilidade à continuidade do ritmo em setembro. Na corrida eleitoral, a convenção do PL oficializou Flávio Bolsonaro e Lula mantém a liderança, mas o estudo especial da casa argumenta que a margem é estreita, com rejeição ao incumbente na casa de 50% e disputa afunilando no eleitorado feminino da classe C no Sudeste. O fundo Kínitro 30 valorizou 0,62% no mês, com perdas em juros na Inglaterra e nas estratégias locais de renda variável e ganho ligeiro em milho, e a gestora não espera movimentos relevantes nos ativos locais até haver maior clareza sobre a eleição.
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Legacy Capital
A carta mensal da Legacy Capital classifica julho como um dos meses mais incomuns dos últimos anos: sob a aparente resiliência dos índices, com o S&P 500 próximo das máximas e o Nasdaq praticamente estável, o mercado atravessou um dos episódios mais intensos de desalavancagem técnica do período recente, concentrado em hedge funds com posições concentradas, estratégias de momentum, ETFs alavancados e exposições ligadas a inteligência artificial. O que chama atenção da gestora é que o ajuste ocorreu em meio à melhora dos fundamentos, com temporada de resultados acima das expectativas e estimativas de lucro revisadas para cima, o que a leva a interpretar o movimento como redução forçada de posicionamento. Nos Estados Unidos, o FOMC manteve a taxa em 3,75%, mas a postura mais branda de Warsh foi lida como possível erro de condução da política monetária, ampliando o prêmio nos horizontes longos e a inclinação da curva. No Brasil, as curvas acompanharam a deterioração externa, enquanto real e bolsa subiram com o petróleo; a atividade perdeu dinamismo, com risco baixista para as projeções de PIB de 1,8% em 2026 e 1,5% em 2027, e o IPCA projetado em 4,6% e 4,7% sustenta a leitura de continuidade dos ajustes de 25 pontos-base pelo Banco Central. No campo eleitoral, a carta relata o mês ruidoso da oposição, com o desempenho fraco nas pesquisas e as evidências ligando Flávio Bolsonaro ao Banco Master, além da reconciliação com Michelle Bolsonaro, mantendo o favoritismo do incumbente. O fundo registrou -1,1% no mês e +3,3% no ano, com detração das compradas em bolsas globais, e segue com exposição relevante à bolsa americana em semicondutores, infraestrutura digital e energia, e baixo nível de risco no Brasil.
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Occam
A carta mensal da Occam abre com Rudiger Dornbusch e aponta que a ruptura do memorando de entendimento entre Estados Unidos e Irã reacendeu as tensões no Oriente Médio, com ataques no Mar Vermelho e riscos ao fluxo pelo Estreito de Ormuz que, somados à persistência do conflito entre Rússia e Ucrânia, pressionaram os preços de energia. Embora a inflação de junho tenha surpreendido positivamente nas principais economias e contribuído para a manutenção dos juros pelos bancos centrais, a deterioração geopolítica elevou os riscos inflacionários prospectivos; nos Estados Unidos, a comunicação do Fed ampliou a incerteza sobre a condução da política monetária e trouxe questionamentos sobre a preservação de sua credibilidade, contribuindo para a abertura expressiva das curvas globais que culminou na intervenção cambial coordenada com o Japão. No Brasil, as convenções partidárias definiram os candidatos, com pesquisas mostrando eleição competitiva e alguma vantagem do incumbente no segundo turno, enquanto os dados mais benignos de inflação e a confirmação da desaceleração sustentaram o consenso de continuidade do afrouxamento monetário, mesmo com as expectativas de inflação se elevando. Em juros e câmbio, a gestora aproveitou a abertura das taxas americanas para realizar lucros na posição tomada nos vértices longos, iniciou agosto sem posições relevantes no portfólio internacional, passou a buscar aplicadas na curva doméstica, encerrou a vendida em euro e manteve a comprada em cesta de moedas emergentes contra o dólar. Na bolsa, o Ibovespa avançou 3,5% interrompendo quatro meses de queda, impulsionado por financeiro e commodities, e a casa reduziu parte do underweight em energia; o principal detrator foi a exposição internacional em semicondutores, mantida por avaliar que os fundamentos estruturais permanecem inalterados. O Occam Retorno Absoluto rendeu 0,49% no mês.
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Opportunity
A carta do gestor da Opportunity coloca as tensões militares no Oriente Médio como foco central do mês, com o preço médio do petróleo cerca de 20% acima do nível pré-conflito e os spreads de refinados voltando a subir. A gestora ressalta que o choque de energia ocorre em ambiente macroeconômico benigno: os dados de julho sinalizaram melhora de confiança, demanda resiliente, repasses limitados de custos, expectativas de inflação de longo prazo ancoradas e pressões salariais contidas. Nos Estados Unidos, a pressão na curva se deu com inflação implícita praticamente estável, o que, somado a dados mais fracos de trabalho e inflação corrente, sustentou a manutenção dos juros — mas a decisão sem unanimidade e a coletiva com questões em aberto levaram à desvalorização do dólar e a um steepening mais intenso, dinâmica que a casa avalia poder se tornar mais frequente. A carta destaca a ausência de urgência nas demais reuniões do mês, com a manutenção surpreendente na África do Sul e decisões dentro do esperado no Reino Unido, no Canadá e na Zona do Euro, e, na América Latina, a queda na parte curta da curva brasileira contra uma ponta longa ainda pressionada pelo externo e pelo risco fiscal. No posicionamento, mantém posição comprada em NTN-Bs e exposição seletiva em ações domésticas, segue em empresas de tecnologia expostas a inteligência artificial nos Estados Unidos, iniciou aplicada no trecho intermediário da curva da República Tcheca e esteve aplicada em Canadá e México; na renda fixa ativa, aumentou a tomada em juros nos Estados Unidos e reduziu África do Sul.
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Quantitas
O relatório de gestão da Quantitas descreve julho como um mês intenso em várias dimensões: o recrudescimento da guerra após o acordo de junho, a comunicação do novo chairman do Fed e o conjunto de dados no Brasil. Segundo a casa, Warsh voltou a surpreender com linguagem pouco usual e poucos sinais sobre os próximos passos, demonstrando desconforto com o nível e o histórico recente da inflação e indicando que a própria curva de juros faz parte do ajuste das condições financeiras, ao mesmo tempo em que disse não ficar refém das precificações de mercado; a reação inclinou a curva e levou a taxa de 10 anos de volta a 4,7%, e a gestora avalia que, se a inflação não melhorar até setembro e o Fed não subir os juros, a nova administração passará a ser mais explicitamente questionada. No Brasil, a novidade foi o acúmulo de dados favoráveis ao Banco Central — produção industrial e serviços negativos, comércio próximo da estagnação, dados erráticos de mercado de trabalho e IPCA e IPCA-15 bem abaixo das expectativas —, o que assegurou o corte para 14% e elevou a chance de a Selic chegar a 13,5% ou 13,75%. Nas eleições, a gestora discorda da leitura de mercado que atribui 70% a 80% de chance ao candidato do governo e mantém a expectativa de disputa apertada, com Lula à frente mas com rejeição alta o suficiente para dar chances reais ao adversário melhor posicionado. No posicionamento, manteve exposição neutra em bolsa local, zerou a exposição no trecho curto dos juros nominais, segue aplicada no trecho médio e longo dos juros reais e sem exposições relevantes em inflação, moedas e bolsas no exterior.
Clique aqui para ler a carta da Quantitas na íntegra
Sparta
A carta mensal da Sparta observa que, apesar da pouca visibilidade sobre os próximos passos da política monetária, o Copom segue reduzindo gradualmente a Selic e a renda fixa continua oferecendo taxas atrativas — mas os preços no crédito exigem mais cautela. Nas debêntures não incentivadas, julho trouxe poucas mudanças, com spreads comprimidos, demanda relevante nas ofertas primárias e pouca volatilidade no secundário; a estabilidade, ressalta a gestora, não decorre de remuneração especialmente atraente, e sim dos níveis elevados de caixa e das carteiras curtas dos fundos. Nas incentivadas, houve leve abertura de spreads, com menos pedidos de resgate mas sem retomada da captação e com volumes menores, configurando um equilíbrio frágil sustentado pela redução simultânea da oferta e da pressão vendedora. No primário, foram analisadas 18 emissões somando R$ 21,0 bilhões, com leitura seletiva: uma oferta AAA do setor de energia teve demanda bastante limitada em julho, enquanto emissão semelhante de junho havia registrado o dobro do volume ofertado. O secundário recuou para R$ 76 bilhões negociados. A carta também discute por que o cumprimento de covenants não significa alavancagem controlada, explicando o uso de rating interno proprietário, e aborda em seção extra a tributação dos ativos isentos e o financiamento de infraestrutura. O posicionamento privilegia liquidez, prazos mais curtos e flexibilidade, com viés mais construtivo em estratégias prefixadas e indexadas à inflação para investidores de horizonte longo.
Clique aqui para ler a carta da Sparta na íntegra
TAG Investimentos
A carta mensal da TAG Investimentos, intitulada “A conta sempre chega”, apresenta dois papers recentes para sustentar uma tese antiga da casa: países fiscalmente irresponsáveis financiam seus déficits com expansão monetária, que se converte em inflação com defasagem conhecida e corrói o poder de compra. O primeiro estudo mostra que a correlação contemporânea entre moeda e inflação é próxima de zero, mas sobe para 0,44 no Brasil quando se introduz defasagem de 15 meses, e que o M2 brasileiro cresceu 14,09% ao ano desde 2002 contra IPCA médio de 6,42%. O segundo questiona o CDI como ativo livre de risco para quem tem passivo real, lembrando retornos reais negativos em 2020 e 2021 e simulando casos em que a imunização por NTN-B acerta o alvo e o pós-fixado não. A leitura prática é sobrepeso em NTN-Bs, especialmente curtas, com juro real na casa de 7,5% a 8% e inflação implícita perto de 6%, sem defender zerar o CDI para liquidez operacional e caixa tático. Nos mercados, a gestora vê dólar forte contra o real, curva americana em processo de achatamento e curva brasileira empinada, cenário mais desafiador para a bolsa local diante da perspectiva de um quarto mandato de Lula, e avalia que Warsh guiará pouco o mercado, o que por si só traz mais volatilidade em juros e moedas.
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Verde Asset Management
O relatório de gestão da Verde registra alta de 1,09% do fundo Verde em julho, contra 1,22% do CDI, com ganhos em ações no Brasil e em hedges no mercado de juros e perdas em bolsa global, metais preciosos e juro real americano. A gestora organiza o mês em três dinâmicas: a correção na franja mais especulativa das ações ligadas ao boom de inteligência artificial, ilustrada pelas quedas do Kospi e do índice de semicondutores americano e atribuída à alavancagem crescente dos investidores, inclusive via ETFs alavancados, sem mudança de fundamentos; a reunião do Fed de 29 de julho, em que Warsh não entregou alta apesar de três dissensos e soou menos duro na entrevista, retirando prêmio da curva e enfraquecendo o dólar; e o retorno do conflito no Irã, com alta de 23,5% do Brent, em que a casa mantém a leitura de excesso de oferta de cru no médio prazo combinado a falta estrutural de capacidade de refino. O Brasil apresentou desempenho surpreendentemente resiliente, com a bolsa subindo 3,5% após quatro meses de correção e fechamento de juros por conta de dados melhores de inflação, e a temporada eleitoral se anuncia como fator dominante à frente. O fundo manteve exposição em renda variável local e global, segue sem direcional em juros locais, aplicado em juro real nos Estados Unidos, alocado em ouro e prata, com hedges estruturais e crédito local preservados. Nas ações locais, Petrobras e Prio foram as maiores contribuições positivas e Tenda e Cury as negativas, com Equatorial, Petrobras e Copel como principais posições; no fundo global, Amazon foi o destaque positivo, com crescimento de 37% em AWS, e FTAI o negativo.
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Vista Capital
A carta do gestor da Vista Capital lembra que o modelo recém-implementado, com controles de risco mais apertados, resulta em carteira mais concentrada em poucas teses, e informa que o principal detrator do mês foi a posição em Petrobras, que funciona tanto como exposição à tese vendida em petróleo quanto como possível hedge para uma eleição adversa. A gestora estranha que a companhia, tradicionalmente correlacionada ao processo eleitoral, tenha negociado em conjunto com pares internacionais e com a commodity, e observa que a ação está em máximas históricas de múltiplos após entregar geração de caixa abaixo de 5% no primeiro semestre, mesmo com petróleo e diesel em níveis elevados — com o preço exportado alcançando US$ 114 e o doméstico ainda defasado, avalia que ambos estão próximos do teto e que o yield foi tímido para o pico do ciclo, mantendo a posição inteiramente opcionalizada. Sobre a eleição, segue acreditando que as pesquisas superestimam a probabilidade de reeleição do governo atual, mas ainda não está exposta a essa tese. De forma mais ampla, entende o caso brasileiro como sobretudo um problema de fluxo, com a principal preocupação do momento na qualidade e no excesso de expansão de crédito, algo que surpreende em um país com 10% de juros reais, enquanto a parte comprada do portfólio, um basket de bond proxies, segue com descorrelação em níveis historicamente elevados. No exterior, a posição em Argentina continua sofrendo com a desconfiança quanto à reeleição de Milei, ainda que a inadimplência bancária tenha estabilizado e a acumulação de reservas e a inflação sigam favoráveis, e a posição em urânio teve resultado praticamente neutro, com as mineradoras acompanhando a queda de tecnologia e as proteções montadas no setor compensando as perdas.
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