Cartas das Gestoras (Setembro 2026)
O artigo a seguir foi inteiramente elaborado por meio de inteligência artificial (AI), confira:
Resumo geral
As cartas publicadas em setembro se referem ao mês de agosto e convergem em um diagnóstico: o mundo ficou mais caro para se financiar. O ponto central do mês foi a abertura dos juros longos nas economias desenvolvidas — a Treasury de 10 anos encerrou agosto em 4,75%, maior nível em quase duas décadas, com movimento semelhante no Japão e na Alemanha —, puxada pelos juros reais, e não pelas expectativas de inflação. Por trás disso, as gestoras apontam a combinação de déficits fiscais persistentes, a competição por capital imposta pelo gigantesco ciclo de investimentos em inteligência artificial e a normalização monetária do Banco do Japão. A ata da reunião de julho do Fed revelou três diretores favoráveis a uma alta imediata e, no fim do mês, o discurso de Kevin Warsh em Jackson Hole colocou a inflação à frente do mercado de trabalho, levando o mercado a precificar uma elevação de juros já em setembro. Em paralelo, o Tesouro americano anunciou a ampliação das recompras de títulos longos, sinalizando desconforto com a ponta longa da curva. No campo geopolítico, o conflito entre Estados Unidos e Irã evoluiu para uma “guerra morna”, sem avanços diplomáticos e com novos ataques no fim do mês, mantendo o Brent ao redor de US$ 90 por barril e pressionando derivados e gás natural. Ainda assim, as bolsas americanas renovaram máximas, com o S&P 500 subindo cerca de 2,6% e o Nasdaq, 3,9%, sustentados pela temporada de resultados das empresas de tecnologia.
No Brasil, o Copom cortou a Selic em 25 pontos-base, para 14,00% ao ano, no quarto ajuste consecutivo, mas a ata reforçou a cautela com as expectativas desancoradas. Os dados confirmaram a desaceleração da atividade: o PIB do segundo trimestre cresceu 0,5% na margem, porém com retração do consumo das famílias, enquanto a inflação corrente surpreendeu para baixo e a inadimplência seguiu em alta — tema recorrente nas cartas, ilustrado pelo pedido de recuperação judicial da Casas Bahia. A eleição passou a dominar a precificação dos ativos: as pesquisas voltaram a mostrar empate técnico entre Lula e Flávio Bolsonaro no segundo turno, com desgaste do governo após os eventos envolvendo o STF, e várias gestoras passaram a atribuir probabilidade igual ou superior a 50% de vitória à oposição. O Ibovespa viveu um mês em “V”: onze quedas consecutivas entre os dias 4 e 18, sob forte saída de estrangeiros (R$ 17,7 bilhões no mês), seguidas de recuperação quase integral com o acirramento da disputa, fechando em -0,33%, aos 177.419 pontos. A curva de juros ganhou inclinação, com o DI Jan/31 subindo de 14,38% para 14,50%, e o real devolveu os ganhos de julho, com o dólar avançando 2,2%, para R$ 5,19. O consenso é de continuidade dos cortes de 25 pontos-base, mas com o tamanho do ciclo em 2027 condicionado ao compromisso fiscal do próximo governo.
Adam Capital
A carta da Adam Capital, intitulada “O preço do dinheiro”, desenvolve a tese de que a inteligência artificial é desinflacionária no longo prazo, mas encarece o dinheiro: a construção de data centers, geração de energia e semicondutores exige um volume extraordinário de capital, que concorre com a emissão crescente de títulos públicos americanos e eleva o juro real de equilíbrio. A gestora destaca as parcerias anunciadas pela Nvidia com grandes gestores de ativos para mobilizar mais de US$ 500 bilhões em financiamento de infraestrutura de IA, tratando “compute” como nova classe de ativos, e argumenta que não é preciso inflação persistentemente alta para termos juros persistentemente altos. Para o Brasil, esse regime é particularmente desafiador: o país entra nele com uma política fiscal ainda expansionista — o PLOA de 2027 permitiria elevar em cerca de 20% as despesas discricionárias —, conta-corrente deteriorada e margem discricionária inferior a 1% do PIB, o que, na visão da casa, inviabiliza uma solução fiscal duradoura independentemente de quem vença a eleição. A carta ainda traça um paralelo com 2014, alertando para o represamento de preços administrados cuja conta chegaria em 2027. As principais posições seguem compradas em ações americanas de tecnologia, em dólar contra uma cesta de moedas e em NTN-B parcialmente travada em juros reais, além de vendida em ouro — única detratora em um mês de resultado consolidado positivo.
Clique aqui para ler a carta da Adam Capital na íntegra
Alaska Asset
A carta mensal da Alaska descreve um cenário internacional marcado pela interação entre dados econômicos nos Estados Unidos, que alimentaram expectativas de política monetária mais acomodatícia, e declarações do Federal Reserve reforçando a possibilidade de juros elevados por mais tempo, além das negociações sobre o Estreito de Ormuz e dos anúncios de recompra de títulos pelo Tesouro americano. No mercado doméstico, os ativos permaneceram voláteis, com o Copom promovendo nova redução de 25 pontos-base na Selic e o cenário eleitoral influenciando os preços. O Ibovespa apresentou leve queda (-0,33%), com destaque positivo para os setores financeiro e de energia, enquanto varejistas e empresas expostas ao consumo doméstico seguiram pressionadas pelos juros elevados e pelos resultados corporativos. As carteiras de ações da gestora tiveram desempenho negativo e inferior ao índice: a contribuição mais relevante veio de óleo e gás, enquanto o varejo — que, ao lado de consumo não cíclico, compõe as maiores posições — foi o principal detrator. O Alaska Black FIC FIA recuou 9,42% no mês e o Alaska Institucional, 6,21%; o Alaska Range caiu 1,91%, com perdas em renda variável, juros e na posição vendida em dólar contra o real.
Clique aqui para ler a carta da Alaska Asset na íntegra
AZ Quest
A carta da AZ Quest resume agosto como um mês de “alívio na margem, cautela no horizonte”. Nos Estados Unidos, o payroll de julho registrou destruição de 23 mil vagas, com revisões negativas de 103 mil postos, mas a inflação medida pelo PCE seguiu distante da meta, e o discurso de Kevin Warsh em Jackson Hole deixou claro que a melhora dos dados ainda não confirma uma desinflação consistente, mantendo a alta de juros em setembro como possibilidade relevante. A Europa mostrou atividade resiliente com inflação em alta, a China segue com recuperação desigual concentrada na indústria e o Japão caminha para nova normalização monetária. No Brasil, o PIB do segundo trimestre mostrou retração do consumo das famílias antes do previsto; a gestora revisou o crescimento de 2026 para 1,8% e projeta 1,5% em 2027, com IPCA de 4,8% e 4,5% e Selic encerrando 2026 em 13,25% e 2027 em 12,00%, em cortes de 25 pontos-base por reunião — o super El Niño e a reforma da jornada de trabalho aparecem como principais riscos de alta para a inflação. A estratégia macro rendeu acima do CDI, com ganhos em posições aplicadas na parte curta da curva local e tomadas na curva americana, além de contribuições de commodities, bolsas e moedas: o AZ Quest Multi rendeu 1,23% (112% do CDI) e o Multi Max, 1,47% (134% do CDI). Em renda variável, a casa destaca que o Ibovespa acumulou onze quedas consecutivas entre 4 e 18 de agosto antes de recuperar quase todas as perdas; no crédito, observou mercado primário modesto e spreads mistos.
Clique aqui para ler a carta da AZ Quest na íntegra
Azimut
A carta da Azimut Brasil Wealth Management destaca o aperto das condições financeiras globais em agosto, com as taxas longas das economias desenvolvidas atingindo máximas de mais de duas décadas, puxadas pelos juros reais. Nos Estados Unidos, as minutas do Fed mostraram um comitê dividido, com três diretores votando por alta imediata, e o discurso de Kevin Warsh em Jackson Hole reforçou a prioridade ao controle da inflação, levando o mercado a considerar praticamente certa uma elevação de 25 pontos-base em setembro. No Brasil, o corte de 25 pontos-base que levou a Selic a 14,00% já estava incorporado aos preços; o que pautou o mercado foi a ata, que condicionou a manutenção da política restritiva às expectativas desancoradas, além das evidências de desaceleração mais intensa da atividade e da largada oficial da campanha eleitoral. A curva de juros abriu com maior intensidade nos vencimentos longos (DI Jan/31 de 14,38% para 14,50%), o Ibovespa fechou em -0,33% após chegar a cair cerca de 7% na primeira quinzena, sob saída de R$ 17,7 bilhões de estrangeiros, e o dólar subiu 2,22%, para R$ 5,19. As diretrizes de alocação mantêm posições em juros reais, exposição reduzida a prefixados, postura seletiva em crédito privado, redução das posições em multimercados diante do desempenho aquém do esperado da classe e exposição seletiva em renda variável, com atenção ao FOMC e ao Copom de 16 de setembro.
Clique aqui para ler a carta da Azimut na íntegra
Bahia Asset Management
O relatório da Bahia Asset destaca que agosto foi marcado pelo discurso mais hawkish de Kevin Warsh em Jackson Hole, pela alta do petróleo e derivados — em meio a novas sanções ao Irã, retomada dos ataques entre Estados Unidos e Irã e reforço do bloqueio naval — e pela intervenção do Tesouro americano no mercado de juros, com a ampliação do programa de recompra de títulos longos diante da pressão sobre a ponta longa da curva. Nos Estados Unidos, os dados vieram mistos, mas consistentes com uma economia saudável; a leitura mais alta do núcleo do PCE reforçou a percepção de que o próximo dado de inflação será decisivo para o FOMC de setembro. No Brasil, o Copom cortou a Selic em 25 pontos-base como esperado, abrindo espaço para nova redução, mas com postura data dependent e preocupação com as expectativas; os núcleos de serviços do IPCA seguiram pressionados, a atividade desacelera desde o segundo trimestre e as pesquisas mostraram melhora de Flávio Bolsonaro com deterioração da avaliação do governo. Entre os fatores em monitoramento, a gestora lista as cicatrizes do conflito no Oriente Médio, o ciclo de capex em IA, as políticas de Trump e, no Brasil, a inflação, as discussões fiscais e a eleição. Os multimercados macro tiveram ganhos em posições de inclinação nas curvas de juros, bolsa local, bolsa americana, ouro e dólar australiano: o Bahia AM Mutá rendeu 1,32% (120% do CDI) e o Maraú, 1,13%. Em renda variável, o Bahia AM Long Biased subiu 1,28% e o Una Equity Hedge, 1,85%, com destaque para as incorporadoras Cury e Tenda e para a Embraer, enquanto Bradesco Saúde foi o principal detrator.
Clique aqui para ler a carta da Bahia Asset na íntegra
Dahlia Capital
Na carta “A Força das Instituições”, a Dahlia parte da tese de Acemoglu e Robinson em “Por que as Nações Fracassam” para argumentar que a prosperidade de longo prazo depende da qualidade das instituições, distinguindo as inclusivas — que garantem direitos de propriedade, sistema legal imparcial e regras iguais para todos — das extrativas, que preservam privilégios de grupos com acesso ao poder. Entre as quatro forças que determinam o crescimento de um país (geografia, demografia, tecnologia e instituições), a gestora vê as instituições como a única construída e reconstruída pela própria sociedade, e retoma o arcabouço de “A Quarta Virada”, usado em sua carta de 2018, para sustentar que o Brasil atravessa um momento de renegociação do contrato social inaugurado pela Constituição de 1988. Nessa leitura, a eleição de 2026 seria menos uma disputa de rejeição ou mais um capítulo da polarização, e mais uma eleição sobre instituições: quanto Estado queremos, quem paga por ele e se as mesmas regras se aplicam a quem governa, legisla, julga, empreende e investe — tudo isso enquanto a alocação do brasileiro em bolsa está próxima dos menores níveis históricos. No posicionamento, o Dahlia Total Return aumentou o risco após a forte realização de meados do mês, principalmente em ações no Brasil; o Dahlia Macro Global segue comprado em ações americanas, sobretudo semicondutores e hyperscalers; e o Dahlia Ações mantém posições em bancos, energia elétrica e cíclicos domésticos.
Clique aqui para ler a carta da Dahlia Capital na íntegra
EQI Asset
A carta da EQI Asset descreve um cenário externo em que a atividade americana mostrou sinais de acomodação e a inflação melhorou, mas segue acima da meta, com o Fed adotando tom mais hawkish em Jackson Hole e o Tesouro, sob Scott Bessent, anunciando a duplicação das recompras de títulos de 10 a 30 anos. A reescalada do conflito entre Estados Unidos e Irã levou o Brent de volta a patamares acima de US$ 90, e a intensificação do El Niño aparece como risco adicional para os alimentos. No Brasil, os dados reforçaram a desaceleração gradual da atividade, com o PIB do segundo trimestre crescendo 0,5% e composição fraca, enquanto o IPCA-15 de agosto veio abaixo das expectativas. A gestora revisou o PIB de 2026 para 1,9%, projeta inflação de 5,1% e espera mais um corte de 25 pontos-base, com a Selic em 13,75% ao final do ano, mantendo o fiscal como principal risco. No crédito, a pesquisa do Banco Central confirmou viés restritivo dos bancos, o mercado de capitais segue seletivo em um movimento de “flight to quality”, o BNDES deve encerrar 2026 com aprovações acima de R$ 95 bilhões e os spreads ficaram estáveis. Na estratégia long only, o PV FIA teve cota estável em relação ao Ibovespa, com destaques para Weg, Mercado Livre e Booking, e a carta discute o trabalho de Mauboussin e Callahan sobre sabedoria e loucura das multidões para reafirmar a disciplina de acompanhar receita, margens e retorno sobre capital em vez das cotações.
Clique aqui para ler a carta da EQI Asset na íntegra
Exploritas
A carta do time de gestão da Exploritas descreve agosto como um mês de bastante volatilidade, com as eleições ganhando corpo como driver de expectativas no Brasil e, lá fora, idas e vindas na guerra do Oriente Médio e incertezas sobre a economia americana, tanto nas expectativas para a inteligência artificial quanto na curva das Treasuries. A gestora avalia que o melhor curso para o Fed seria uma pequena alta de juros o quanto antes, diante de inflação muito acima da meta há tempo demais, da grande revisão para cima do capex ligado à IA e do petróleo mais alto, e acredita que os mercados reagiriam bem a essa decisão. No Brasil, vê as eleições como evento binário: a vitória da oposição traria um “benefício da dúvida” inicial, enquanto a reeleição de Lula geraria enorme desconfiança sobre o ajuste fiscal considerado quase consensualmente necessário a partir de 2027, ainda que o colchão de liquidez do Tesouro próximo dos picos e os ajustes no Plano Anual de Financiamento ofereçam algum conforto. O Exploritas Marathon FIA caiu 0,90% no mês (ante -0,33% do Ibovespa), com perdas em ações domésticas como Vamos e Priner parcialmente compensadas por ganhos de 328 pontos-base em juros reais; o Exploritas Alpha América Latina recuou 5,84%, com perdas na carteira de ações e nos hedges regionais. A casa segue comprada em ações domésticas e de infraestrutura e aplicada na curva de juros reais brasileira.
Clique aqui para ler a carta da Exploritas na íntegra
Genoa Capital
A carta da Genoa Capital aponta que os fundamentos da economia americana seguem sólidos, com dados preliminares indicando crescimento forte no terceiro trimestre, consumo surpreendendo positivamente e desemprego em queda — em parte por efeitos demográficos e das políticas de imigração —, enquanto os núcleos de inflação seguem acima da meta. A comunicação do Fed mostrou impaciência com a persistência inflacionária, elevando os riscos de uma alta de juros ainda este ano. No Brasil, a desaceleração continua, com deterioração da inadimplência refletindo os efeitos cumulativos da política restritiva e impulso fiscal aproximadamente neutro nos próximos 12 meses; a inflação deve encerrar o ano ao redor de 5% e moderar para 4,5% em 2027, com riscos altistas de El Niño, PEC da escala 6×1, reforma tributária e petróleo perto de US$ 100. A gestora trabalha com o cenário de derrota do presidente Lula no segundo turno, após a queda de aprovação ligada aos eventos envolvendo o STF, e vê o Banco Central mantendo cortes de pelo menos 25 pontos-base, com barra elevada para interromper um ciclo que deve avançar mais do que o mercado supõe. O Genoa Radar rendeu 1,37% em agosto, com ganhos em juros e moedas globais e em juros locais, e perdas em renda variável e na moeda local; o Arpa subiu 1,09%, com exposição líquida em ações ao redor de 95%, privilegiando empresas brasileiras; e o Sagres, sistemático, rendeu 0,53%.
Clique aqui para ler a carta da Genoa Capital na íntegra
Ibiuna
O comentário mensal do Ibiuna Hedge destaca que agosto foi marcado pela intensificação da alta dos juros longos no mundo: a taxa de 10 anos dos Estados Unidos fechou em 4,75%, maior nível em quase 20 anos; no Japão chegou a cerca de 3%, máxima em 30 anos; e na Alemanha atingiu 3,3%. A gestora atribui o movimento a uma tendência pós-pandemia de maior endividamento público e inflação acima das metas, somada à demanda por investimentos ligados à inteligência artificial e aos gastos militares, e considera que a questão-chave é se a alta seguirá ordenada — afetando pouco os ativos de risco — ou se haverá uma intensificação desordenada capaz de gerar aversão global ao risco, cenário que ainda não vê, apesar de sinais preocupantes como a intervenção do Tesouro americano no iene e na ponta longa da curva. No Brasil, a alta dos juros globais encontra o país em fragilidade fiscal, com juros reais próximos aos da crise de 2015/2016 e dívida/PIB mais alta; a casa enxerga divergência entre a probabilidade que atribui a uma mudança de governo — que geraria expectativa de ajuste fiscal e reprecificação benigna — e a embutida nos preços, e está posicionada principalmente via opções para capturar essa eventual mudança de rumo. O fundo rendeu 1,31% no mês (120% do CDI), com destaque para o livro de juros, aplicado na curva brasileira, e contribuição positiva de ações via opções e long-short. As principais posições incluem aplicado em juros nominais curtos e tomado nos vértices longos no Brasil, tomado nos EUA e no Japão, compra de yuan, florim húngaro e rand, venda de euro e dólar, e pequena posição comprada em ouro.
Clique aqui para ler a carta da Ibiuna na íntegra
JGP
O relatório de gestão dos multimercados da JGP aponta que os temas centrais de agosto seguiram sendo o conflito com o Irã, a política monetária do Fed e o bom desempenho da bolsa americana puxado pelas empresas de tecnologia ligadas à inteligência artificial, com o S&P 500 em alta apesar do acirramento do conflito no Golfo e da alta do petróleo. O discurso mais hawkish de Kevin Warsh em Jackson Hole deixou claro que, dentro do mandato dual, o Fed está hoje mais preocupado com a inflação, e o mercado passou a precificar cerca de 40 pontos-base de alta até o fim do ano; o Dollar Index recuou aproximadamente 1% e a atividade chinesa segue fraca no varejo e na construção. No Brasil, o Ibovespa oscilou em “V” — queda inicial associada à saída de estrangeiros com a proximidade das eleições e recuperação atribuída à melhora da oposição nas pesquisas —, enquanto os juros futuros fizeram o movimento inverso e o real se desvalorizou 2,2%. Com atividade e inflação moderando, a gestora espera que o Banco Central reduza a Selic para 13,75% na reunião de 16 de setembro, mas ressalta que a reunião seguinte ocorrerá após o segundo turno e que uma redução significativa dos juros longos exige um plano para as contas públicas. No mês, os fundos obtiveram ganhos com a conversão dos títulos privados da Light, com ações individuais no exterior e com moedas emergentes contra o dólar; nos mandatos previdenciários, a compra de real e a posição tomada em juros na Colômbia foram detratoras. O JGP Strategy rendeu 1,73%, o JGP Max, 1,41%, e o JGP Hedge, 1,25%.
Clique aqui para ler a carta da JGP na íntegra
Kapitalo NW3
A carta do Kapitalo NW3, estratégia de event driven da Kapitalo, relata que a atividade de M&A começou forte em agosto, com nove transações acima de US$ 1 bilhão nos primeiros dez dias, mas perdeu força na segunda metade do mês; o volume acumulado de fusões e aquisições envolvendo companhias abertas nos Estados Unidos está 8% acima de 2025, desacelerando em relação ao primeiro semestre, e o pool de spreads encerrou o mês em cerca de US$ 27 bilhões, 13% abaixo de julho. Entre os destaques, a gestora cita as aquisições da Lantheus pela Curium, da Accelerant pela Thoma Bravo e da Integer pela KKR, as ofertas da Prologis pela Segro e da Apollo pela EasyJet no Reino Unido, e a conclusão de sete transações que somaram cerca de US$ 98 bilhões, como a compra da Electronic Arts pelo consórcio liderado pelo PIF. O spread médio ponderado fechou cerca de 170 pontos-base no mês, com a Warner Bros. Discovery (+8,5%) novamente como principal destaque, diante da maior expectativa de acordo no litígio com os estados liderados pela Califórnia sobre sua aquisição pela Paramount Skydance. O fundo mantém portfólio diversificado em 16 posições, com duration de cerca de 4,9 meses e exposição de 0,46x o PL, tendo como principais posições Cia Brasileira de Alumínio, Warner Bros. Discovery, Mills e Mitie Group. O Kapitalo NW3 Plus rendeu 1,62% em agosto, acumulando 11,39% no ano e 18,10% em 12 meses.
Clique aqui para ler a carta do Kapitalo NW3 na íntegra
Kinea
Na carta “A hora do pesadelo”, a Kinea usa a metáfora de Freddy Krueger para descrever como decisões do passado voltam para assombrar o presente: no Brasil, a dívida cresce por inércia enquanto o país “dorme”, e os juros reais entre os mais altos do mundo funcionam como a cafeína que evita o colapso imediato a um custo crescente. A gestora vê a eleição mais disputada do que sugere o agregador de pesquisas, por causa da abstenção concentrada na base do presidente e da estabilidade da avaliação do governo, e espera que o Copom pause o ciclo de cortes para preservar margem de manobra até que o orçamento de 2027 esteja definido, retomando a flexibilização quando a incerteza eleitoral diminuir. No exterior, a ponta longa da curva americana absorve a pressão do legado fiscal e do capex em inteligência artificial financiado por dívida das hyperscalers, enquanto o discurso de Warsh em Jackson Hole “recuperou as rédeas da curva” e sugere um Fed disposto a subir juros; a casa mantém viés comprado em dólar, aplicada em juros no México, na Nova Zelândia e no Reino Unido, e comprada em won e iene. Em ações, a temporada de resultados saudável nos Estados Unidos levou a Kinea a transferir parte da exposição em opções de Nasdaq para S&P 500, mantendo preferência por memória e equipamentos para semicondutores; no Brasil, segue com exposição reduzida e neutra ao país, com utilities, Minha Casa Minha Vida e Embraer. Em commodities, usa o petróleo como proteção (comprada em contratos curtos e vendida em longos), voltou a ter visão positiva em ouro, mantém viés altista em grãos por causa da guerra na Ucrânia e do El Niño, e segue comprada em boi gordo americano.
Clique aqui para ler a carta da Kinea na íntegra
Legacy Capital
A carta da Legacy destaca que agosto foi marcado pela volatilidade dos mercados e pela permanência dos juros reais longos em patamares elevados nas economias desenvolvidas, sustentados por déficits persistentes, pela expansão dos investimentos em infraestrutura de inteligência artificial e pela normalização monetária no Japão. Apesar de dados benignos de emprego e inflação nos Estados Unidos, o discurso de Kevin Warsh em Jackson Hole deslocou o balanço de riscos na direção de uma alta de juros, e a gestora passou a projetar elevação de 25 a 50 pontos-base pelo Fed no segundo semestre, além de uma alta adicional do ECB. No Brasil, os indicadores confirmaram a desaceleração esperada, com aumento dos casos de empresas em dificuldade financeira e cortes de pessoal que podem intensificar a perda de fôlego; a casa mantém projeções de crescimento de 1,8% em 2026 e 1,5% em 2027, inflação de 4,9% e 4,7%, e espera que o Banco Central mantenha cortes de 25 pontos-base, ainda que com assimetria pior diante dos juros globais. Na eleição, avalia que o segundo turno está numericamente empatado após o desgaste do governo com as investigações e a queda da rejeição a Flávio Bolsonaro, o que cria assimetria favorável aos ativos locais, já que os preços ainda atribuem maior probabilidade à reeleição. O fundo rendeu 0,84% no mês (+4,2% no ano), com ganhos em bolsas globais e commodities, e o posicionamento segue construtivo em ações americanas, cauteloso com duration, mais equilibrado em relação ao dólar e com alguma exposição ao Brasil.
Clique aqui para ler a carta da Legacy Capital na íntegra
Neo
A carta da Neo, assinada pelo economista Luciano Sobral, observa que os juros locais da maioria dos países seguiram subindo em agosto, com as taxas longas de vários desenvolvidos testando os maiores níveis em muitos anos, impulsionadas pelas fragilidades fiscais quase crônicas, pelos preços elevados de petróleo e derivados e pelo discurso de Kevin Warsh em Jackson Hole. O conflito no Oriente Médio evoluiu para uma “guerra morna”, na qual a solução diplomática parece distante, mas nenhuma parte quer aprofundar as ações militares, mantendo o Brent ao redor de US$ 90 por barril, prêmios elevados no refino e riscos para o gás natural. Warsh recolocou na mesa a possibilidade de altas de juros já em setembro, qualificando as condições financeiras como frouxas; a gestora segue acreditando que a inflação será compatível com os Fed Funds nos patamares atuais, mas admite cenário de uma ou duas altas ainda este ano. No Brasil, as pesquisas trouxeram as primeiras movimentações relevantes desde maio, com o segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro voltando ao empate numérico e a súbita ascensão de Augusto Cury no primeiro turno; a Neo vê a corrida aberta até a votação, com o risco eleitoral manifestando-se sobretudo no câmbio e o mercado de juros deslocando o foco da inflação para os sinais de desaceleração da atividade.
Clique aqui para ler a carta da Neo na íntegra
Occam
A carta da Occam abre com Hayek sobre o sistema de preços como mecanismo de comunicação de informação e destaca que os dados do segundo trimestre reforçaram a resiliência do crescimento global em ambiente de pressões inflacionárias persistentes, com o ciclo de investimentos em IA passando a exercer maior pressão sobre os preços. Preocupações fiscais, necessidades de financiamento ligadas à defesa e à segurança energética e a competição por capital levaram os juros longos às máximas de vários anos: a dívida pública americana superou US$ 40 trilhões, e a ampliação das recompras de Treasuries, após a intervenção coordenada com o Japão, teve efeito apenas temporário. Warsh, na leitura da gestora, explicitou pela primeira vez sua função de reação e indicou que, sem convergência da inflação, o Fed “poderá ter trabalho a fazer”; ao limitar o aperto pela ponta longa, a atuação do Tesouro amplia a necessidade de ajuste via taxa básica. No Brasil, a atividade segue em moderação, as projeções de PIB para 2027 caem enquanto as expectativas de inflação sobem, e o Copom deve continuar a flexibilização sem sinalizar os próximos passos, em uma eleição competitiva. A casa aplicou a parte curta da curva doméstica contra posição tomada nos vértices longos, mantém visão negativa para o dólar, alocação em peso chileno e pequena compra de ouro. Em bolsa, mantém bom nível de hedge e maior exposição ao setor financeiro, principal detrator do mês, com destaques positivos em incorporadoras, energia e semicondutores no exterior; o Occam Retorno Absoluto ficou praticamente estável (+0,03%), com a bolsa local como principal detratora.
Clique aqui para ler a carta da Occam na íntegra
Opportunity
A carta do Opportunity Macro observa que os desenvolvimentos nos Estados Unidos ligados ao Tesouro e ao Banco Central estiveram no centro do debate em agosto: enquanto o desconforto com a alta dos juros longos ficou mais evidente, a comunicação do Fed reforçou o foco no controle tempestivo da inflação. O conflito no Oriente Médio seguiu como vetor inflacionário global, pressionando petróleo, gás natural e spreads de refinados, com contrapontos como a melhora marginal do núcleo da inflação americana e a criação fraca de vagas; a resultante foi inflacionária, mas moderada, levando vários bancos centrais a um “compasso de espera” com viés de alta. O steepening da curva americana foi tema central, e o discurso de Warsh trouxe um contraponto que reverteu boa parte do enfraquecimento do dólar, com o mês terminando em alta moderada e uniforme dos juros. No Brasil, o corte de 25 pontos-base ocorreu em contexto de enfraquecimento cíclico, desaceleração do crédito e piora consistente da inadimplência, enquanto o acirramento da disputa presidencial, ao elevar a probabilidade de compromisso com ajustes fiscais, provocou algum recuo dos juros reais longos. A família Total mantém posição comprada em NTN-Bs, exposição seletiva em ações domésticas com bom carrego, viés aplicador no trecho intermediário da curva de DI e ações de semicondutores, serviços financeiros e mídia no exterior, e iniciou venda de euro contra o dólar e aplicação no juro mexicano. O Opp Total rendeu 0,99% em agosto e o Opp Income, 1,40%.
Clique aqui para ler a carta do Opportunity na íntegra
Persevera
A publicação da Persevera, intitulada “O Brasil não pretende reeleger Lula”, consolida a tese defendida pela casa desde o início do ano: embora as pesquisas apontem 50 a 50 entre Lula e Flávio Bolsonaro no provável segundo turno, a gestora estima a disputa em cerca de 52 a 48 para o candidato de oposição, com assimetria favorável a ele. O argumento central é que a eleição funciona como referendo sobre o presidente e que a rejeição — 52,5% para Lula, quase três pontos acima da de Flávio — tem sido o melhor preditor dos resultados desde 2014, além de mitigar o efeito do “eleitor envergonhado”. A análise identifica erosão do presidente no Nordeste, seu principal reduto, sobretudo na Bahia e entre os jovens, e atribui o fenômeno à mudança de prioridade da população para a segurança pública, à transformação religiosa e às fraturas geracional e regional, com risco de o PT perder três dos quatro estados que governa na região. A gestora também aponta subestimação da desaprovação de Lula no Sudeste por erros de amostragem e mostra que ajustes por abstenção e pelo erro histórico dos institutos já colocariam Flávio acima de 50%. Por fim, situa o Brasil na reversão da onda de esquerda na América Latina, onde 9 dos 12 países analisados têm hoje governos de direita.
Clique aqui para ler a carta da Persevera na íntegra
Quantitas
A carta da Quantitas resume agosto como um mês de “juros longos nos desenvolvidos e reviravolta eleitoral no Brasil”. No exterior, a abertura das taxas longas está no centro das atenções: um dia após a Treasury de 10 anos atingir 4,75%, o Tesouro americano anunciou que poderia dobrar os buybacks de títulos longos, mas o alívio durou poucos dias, e o movimento se repete na Europa e no Japão. Em Jackson Hole, Warsh retomou as rédeas da narrativa após a coletiva errática de julho, sendo claro sobre a necessidade de subir os juros caso a inflação não melhore substancialmente e reafirmando a meta de 2% do PCE core — leitura que a gestora interpreta como disposição para elevar juros em setembro. No Brasil, os dados de atividade vieram mistos, com o crédito mais difícil mantendo o viés de corte de 25 pontos-base em setembro, mas a piora de alguns indicadores de inflação deixa o corte de novembro em aberto, sobretudo porque a janela entre setembro e novembro concentra uma possível alta do Fed e o resultado eleitoral. Na eleição, a casa avalia que tanto o imbróglio no STF quanto as pesquisas de empate técnico favorecem Flávio Bolsonaro, a quem atribui pelo menos 50% de chance de vitória, com viés de alta. O posicionamento mantém exposição neutra em bolsa local com posições de valor relativo, pequena exposição comprada em bolsa internacional, aplicado em juros reais no trecho médio/longo e posição tática comprada em real contra dólar. Entre os fundos, o Quantitas Galápagos rendeu 1,80% (165% do CDI), o Capri Prev, 1,75%, e o Mallorca, 1,52%, enquanto o Montecristo, long only, caiu 1,60%.
Clique aqui para ler a carta da Quantitas na íntegra
Sparta
A carta da Sparta descreve agosto como um mês de poucas mudanças no mercado de crédito privado: o Copom cortou a Selic em 25 pontos-base, mas o efeito sobre os fundamentos das empresas segue pequeno, com o juro real ainda elevado e contracionista, e a proximidade das eleições mantém os investidores em compasso de espera. Nas debêntures não incentivadas, o fluxo continua comprador e os fundos permanecem líquidos, com o mercado primário fraco sustentando valorizações marginais em um mercado que já opera caro; nas incentivadas, os resgates dos fundos de infraestrutura praticamente zeraram, mas a captação não voltou e não houve nenhuma nova oferta no mês, mantendo um equilíbrio frágil de baixa oferta e baixa demanda — os fundos hedgeados voltaram a render abaixo do CDI. O mercado primário teve apenas seis ofertas analisadas, somando R$ 4,9 bilhões, em nenhuma das quais a gestora alocou, por preço ou risco; o secundário negociou R$ 65 bilhões, menor volume desde março de 2025, com a Hapvida como principal exceção à estabilidade dos spreads. A análise de risco de crédito do mês discute os vencimentos de dívida crescentes nos próximos anos, argumentando que dívida vencendo não é, por si só, medida de risco de crédito: o que importa é quem consegue continuar se financiando, já que o vencimento raramente cria o problema, apenas evidencia uma deterioração prévia. Entre os fundos, o Sparta Top rendeu 1,1% (97% do CDI) e o Sparta Top Inflação, 1,4%.
Clique aqui para ler a carta da Sparta na íntegra
TAG Investimentos
A carta da TAG, intitulada “Quando o macro fala, o micro abaixa a cabeça”, apresenta um estudo dos balanços de 44 empresas do Ibovespa ao longo de doze trimestres, cruzados com o pano de fundo macroeconômico. Quatro números resumem o diagnóstico: 82% das famílias endividadas, recorde pelo sexto mês seguido; comprometimento de renda próximo de 30%; juros do rotativo de 442% ao ano; e R$ 30 bilhões mensais gastos em apostas online. O paradoxo de desemprego na mínima de 14 anos com varejo encolhendo em termos reais se explica porque o brasileiro “consome juros e apostas”: com a Selic a 14%, a despesa financeira consumiu 6,6% da receita agregada das companhias analisadas, e casos como Magazine Luiza, Smart Fit e a recuperação judicial da Casas Bahia — que declarou R$ 17,3 bilhões em dívidas após reportar alavancagem de 0,5x — ilustram que “alavancagem divulgada é opinião; cobertura de juros é fato”. O segundo trimestre foi bifurcado, com Petrobras, Embraer, Gerdau, saúde e alta renda descolando do varejo de massa, e a gestora alerta para lucros inflados por créditos tributários e eventos únicos. A inadimplência das famílias em 7,6% e as 7.980 empresas em recuperação judicial, recorde, devem seguir crescendo mesmo com a Selic caindo, dada a defasagem de 14 meses entre juro e insolvência. Na alocação, a TAG mantém a régua do título público pagando inflação mais 8%, privilegiando negócios de balanço leve e caixa real — saúde, alta renda, exportadores, software —, trata as empresas endividadas como uma “opção sobre o Copom” e recomenda paciência com o varejo de massa e conservadorismo diante de uma inflação que, para famílias de alta renda, roda em IPCA mais 2 a 5 pontos.
Clique aqui para ler a carta da TAG Investimentos na íntegra
Versa
O resultado mensal da Versa observa que agosto foi positivo para as bolsas mundiais, mas sem direcionadores macro claros, já que nem a crise no Oriente Médio nem as dúvidas sobre o Fed se esclareceram, com as falas de Warsh reavivando a expectativa de alta de juros em setembro. O Brasil ficou na lanterna das bolsas globais, com o Ibovespa caindo 2,3% em dólar, pressionado pelo rebaixamento do país em carteiras recomendadas de bancos internacionais e pela forte saída de estrangeiros; o PIB do segundo trimestre veio levemente acima do esperado, mas com retração de 0,4% no consumo das famílias, e as pesquisas passaram a indicar segundo turno mais apertado, o que, junto com a atividade mais fraca, ajudou na queda dos juros em toda a curva. O Versa Institucional FIA caiu 3,2% em um mês em que chegou a recuar 10%, com a Renner (-20% após o resultado do segundo trimestre, afetado pela Copa do Mundo) como principal detrator, e o fundo voltou a investir em Ecorodovias, vista como grande beneficiária de um ciclo de cortes mais longo e profundo do que a curva precifica. O Versa Long Biased recuou 25,9%, reestreando o livro short com Três Tentos e retomando o hedge em S&P futuro; o Fit LB caiu 6,0% e o Tracker, 3,0%. O Versa Genesis, focado em energia elétrica, caiu 4,4% ante -1,3% do IEE, com Sabesp como principal detrator e nova posição em Rumo, mantendo CPFL, Copel e Sabesp como principais posições.
Clique aqui para ler a carta da Versa na íntegra
Vinci Compass
A carta da Vinci Compass destaca a forte oscilação das expectativas para a política monetária americana ao longo do ano, com o payroll de julho mostrando destruição de 23 mil vagas e revisões que reduziram a média de criação de empregos em 12 meses para cerca de 20 mil, em um ambiente de “no hiring, no firing” — parte da força de março a maio pode ter refletido contratações temporárias ligadas à Copa do Mundo. Um mercado de trabalho americano novamente fraco reduziria a necessidade de aperto adicional e favoreceria os emergentes. No Brasil, a gestora espera crescimento de 1,5% em 2026, com o terceiro trimestre próximo de zero, e explica o juro real de cerca de 10% pelo desalinhamento entre as políticas monetária e fiscal desde a PEC da Transição; a melhora da arrecadação, sobretudo com petróleo, pode levar o primário a zero, mas é insuficiente para estabilizar a dívida. Com atividade abaixo do potencial, inflação de serviços cedendo e posição externa mais favorável — as exportações de petróleo podem se aproximar de US$ 100 bilhões —, vê espaço para cortes graduais de 25 pontos-base que levariam a Selic a cerca de 13,25% no fim do ano, com o ciclo de 2027 dependendo da política fiscal do próximo governo. Nos multimercados, o Vinci Multiestratégia zerou a posição em NTN-B e mantém aplicado em juros nominais e estrutura de opções para valorização do real; o Vinci Atlas rendeu 1,10%, com ganhos em ouro e mercados de fronteira. Em ações, a carteira Total Return segue defensiva, concentrada em bancos, utilities e petróleo, com Tenda como principal contribuição e Bradesco como detrator, enquanto nos fundos de dividendos Vale e Petrobras se destacaram e o Itaú sofreu com a saída de fluxo estrangeiro.
Clique aqui para ler a carta da Vinci Compass na íntegra
Vista Capital
A carta da Vista Capital descreve agosto como um mês importante: o resultado foi apenas levemente positivo, mas o comportamento do portfólio reforçou a convicção no processo, já que as proteções adicionaram quase 3 pontos percentuais à cota e permitiram atravessar o estresse sem alterar posições, enquanto as principais teses estruturais — à exceção do urânio — sofreram, com os ativos argentinos recuando quase 20% diante da frustração com a popularidade de Milei e as ações brasileiras pressionadas pela expectativa de reeleição. A gestora atribui parte do resultado à simplificação do portfólio e à concentração em poucas teses. No fim do mês, retirou as proteções em bolsa brasileira e câmbio, avaliando que a redução de posições de um investidor estrangeiro relevante levou o pessimismo eleitoral a níveis excessivos, e mantém visão fora do consenso de vitória da direita com alguma margem, apoiada na distribuição dos indecisos, no comparecimento e no desgaste do presidente com os acontecimentos envolvendo o STF. Na leitura da casa, o Brasil passou a negociar com características de dívida em dificuldade, em que a pergunta central é quase binária — haverá ou não um default —, e a mudança de governo tenderia, ao menos, a adiar o risco de ruptura e a permitir a discussão sobre ajustes com a curva de juros em patamar sensivelmente inferior. A exposição segue concentrada em empresas domésticas sensíveis à queda dos juros e com pouco endividamento; no exterior, a Vista considera excessiva a posição dos agentes em ativos americanos e acredita em um dólar mais fraco, mantendo inalteradas as posições em urânio e Argentina.
Clique aqui para ler a carta da Vista Capital na íntegra