Cartas das Gestoras (Outubro 2026)
Resumo geral
As cartas de outubro se referem ao mês de setembro e convergem em torno da retomada do aperto monetário nas economias desenvolvidas. O Federal Reserve voltou a subir os juros em 25 pontos-base, para o intervalo entre 3,75% e 4,00%, na primeira alta desde 2023 e já sob o comando de Kevin Warsh, e várias gestoras esperam ao menos mais um aumento até o fim do ano. O BCE e o Banco do Japão também elevaram suas taxas, num movimento que as cartas descrevem como sincronizado e que tem por trás a inflação de energia ligada ao conflito entre Estados Unidos e Irã, com o Brent de volta acima de US$ 100, e uma atividade americana que segue resiliente, sustentada pelo investimento em inteligência artificial. As taxas longas subiram em todo o mundo desenvolvido, com o Treasury de 10 anos perto de 5,3%, patamar não visto desde 2007, e as gestoras atribuem a alta à perspectiva de juros elevados por mais tempo, à piora fiscal de países como os EUA e a França e à demanda por capital do ciclo de investimentos em IA. O dólar se fortaleceu de forma ampla, o que pesou sobre as moedas emergentes.
No Brasil, os preços seguiram na direção oposta, e a eleição presidencial ocupou o centro das análises. O avanço de Flávio Bolsonaro nas pesquisas e, depois, o primeiro turno, em que ele terminou à frente de Lula, levaram o mercado a embutir maior chance de mudança de governo e de um ajuste fiscal capaz de estabilizar a dívida. O Ibovespa subiu cerca de 5% no mês, os juros futuros longos recuaram e o real se valorizou enquanto as demais moedas emergentes perdiam terreno. O Copom cortou a Selic em 25 pontos-base, para 13,75%, no quinto corte seguido, e, com a atividade em desaceleração e o PIB do terceiro trimestre perto de zero ou negativo, parte das gestoras já vê espaço para acelerar o ciclo, a depender dos compromissos fiscais do próximo governo. As cartas também registram ressalvas: medidas como o reajuste do Bolsa Família renovaram as preocupações fiscais, fundamentos como a dívida alta continuam presentes e parte da expectativa pode já estar nos preços. No crédito privado, a abertura de spreads nas debêntures incentivadas, acompanhada de resgates nos fundos isentos, marcou o mês.
Adam Capital
A carta mensal da Adam Capital de setembro, intitulada “Acabou o vinho?”, abre com uma alegoria sobre uma capitania endividada que passa a financiar suas festas imprimindo convites, em referência à trajetória fiscal brasileira. No cenário internacional, a gestora avalia que a política monetária americana já opera em terreno desinflacionário, mas que o Fed deve seguir elevando os juros para trazer o PCE de 3,4% para perto de 2%, no que seria o sexto ano seguido de inflação acima da meta. A Adam vê um quadro benigno de longo prazo para os EUA, com ganhos de produtividade ligados à inteligência artificial, arrefecimento do custo unitário do trabalho e PIB real acelerando para algo entre 3,5% e 4% no terceiro trimestre, ainda que o choque de custos em derivados de petróleo, frete marítimo e alimentos pressione no curto prazo. No Brasil, a carta lembra que a dívida líquida saltou de 30% para 70% do PIB desde a crise de 2014-2015 e que a taxa de investimento, de 16,1% do PIB no segundo trimestre, limita a produtividade num ambiente global de disputa por capital desfavorável a emergentes. Na carteira, a gestora manteve a compra de ações de tecnologia americanas, a compra de dólar contra o euro e a venda de ouro. No Brasil, segue com postura defensiva, comprada em NTN-B e vendida em dólar contra o real e em Ibovespa. O resultado do mês foi positivo, com destaque para a contribuição de ações globais.
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Alaska Asset Management
A carta mensal da Alaska de setembro descreve um mês marcado pela retomada do aperto monetário nos Estados Unidos, com o Federal Reserve elevando os juros em 25 pontos-base, na primeira alta desde 2023, após dados de emprego e inflação acima do esperado. O rendimento do Treasury de cinco anos superou 5% pela primeira vez desde 2007, o petróleo oscilou entre US$ 98 e US$ 108 por barril em meio a ataques a instalações de energia e sinais intermitentes de negociação entre EUA e Irã, e o S&P 500 fechou em leve queda. No Brasil, a evolução das pesquisas eleitorais em favor da oposição impulsionou os ativos de risco, e o Ibovespa subiu 5,03%, com destaque para energia e bancos, enquanto as mineradoras recuaram com a queda do minério de ferro. Os juros futuros caíram, o Copom reduziu a Selic em 25 pontos-base e o reajuste do Bolsa Família renovou as preocupações fiscais. Nos fundos, as carteiras de ações do Alaska Institucional e do Alaska Black superaram o Ibovespa, com a maior contribuição vindo do varejo e o principal detrator no setor de transportes. Varejo e consumo não cíclico seguem como as maiores posições. O Alaska Range teve ganhos em renda variável, em juros e na posição vendida em dólar contra o real.
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AZ Quest
A carta mensal da AZ Quest de setembro, intitulada “Entre a Guerra e as Urnas”, descreve um mês em que o conflito entre Estados Unidos e Irã seguiu pautando o ambiente global, enquanto a atividade firme e a inflação elevada levaram os bancos centrais dos EUA, da Zona do Euro e do Japão a subir juros. O Fed elevou a taxa em 25 pontos-base, para o intervalo entre 3,75% e 4,00%, e o BCE levou a sua a 2,50%. No Brasil, a gestora vê atividade em desaceleração, com PIB do terceiro trimestre perto de zero, e inflação voltando a pressionar por causa do efeito do super El Niño sobre os alimentos e do risco de escassez de diesel no quarto trimestre. A AZ Quest revisou a projeção de IPCA de 2026 para 5,0% e espera cortes de 25 pontos-base na Selic, até 13,25% no fim de 2026 e 12,00% no fim de 2027. A carta registra ainda que o desempenho de Flávio Bolsonaro no primeiro turno pode alterar a percepção de risco e abrir espaço para cortes mais intensos, a depender dos compromissos fiscais apresentados. Os fundos macro ficaram abaixo do CDI, com ganhos em juros internacionais e bolsa brasileira e perdas em moedas e crédito. Em renda variável, o AZ Quest Ações subiu 6,96%, ante 5,03% do Ibovespa, puxado por bancos, elétricas e petróleo. No crédito, a abertura de spreads, mais intensa nas debêntures incentivadas e de origem técnica, pesou sobre os fundos da casa.
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Azimut
A carta mensal da Azimut de setembro aponta a abertura das taxas longas nos países desenvolvidos como o fato central do cenário internacional, movimento explicado pela alta dos juros reais e associado cada vez mais à deterioração fiscal dessas economias, como no caso da França. Nos EUA, o FOMC elevou os juros em 25 pontos-base, na primeira alta sob o comando de Kevin Warsh, e projetou inflação na meta apenas em 2029, o que levou o mercado a precificar novas altas e fez o Treasury de 10 anos subir de 4,75% para 5,28%. No Brasil, o PIB do segundo trimestre cresceu 0,5%, com queda de 0,4% no consumo das famílias, e o Copom cortou a Selic para 13,75%, no quinto corte consecutivo. O protagonismo, porém, ficou com a eleição: a aposta em uma agenda fiscal mais restritiva no próximo governo, o chamado trade eleitoral, fez o DI Jan/29 recuar de 14,19% para 13,76% e favoreceu os ativos ligados ao ciclo doméstico. A gestora manteve as posições em juros reais, elevou seletivamente a exposição a prefixados, segue seletiva em crédito privado e manteve a exposição à bolsa doméstica. A carta também observa que os multimercados tiveram o oitavo mês seguido de resgates e que a correlação entre os fundos da indústria subiu, o que reduz o ganho de diversificação entre gestores.
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Bahia Asset Management
A carta mensal da Bahia Asset de setembro destaca que bolsa, juros e real reagiram positivamente ao primeiro turno, em que Flávio Bolsonaro terminou à frente de Lula, com desempenho acima do indicado pelas pesquisas. No exterior, a alta do petróleo, a postura mais dura do Fed e dados de atividade resilientes levaram a nova rodada de alta dos juros americanos e de fortalecimento do dólar, com os prazos mais longos voltando a níveis vistos apenas antes da crise de 2008. O FOMC subiu os juros em 25 pontos-base, e a surpresa veio no dot plot de 2027, que deixou de indicar cortes. O BCE também elevou sua taxa e sinalizou novas altas, enquanto as dúvidas sobre o orçamento francês levaram os juros longos da França aos maiores níveis desde 2002. No Brasil, o Copom fez mais um corte de 25 pontos-base, e o governo acelerou medidas com impacto fiscal, como o reajuste do Bolsa Família, com custo anual estimado em R$ 24 bilhões, e um novo Desenrola, de cerca de R$ 15 bilhões. Nos multimercados, os principais ganhos vieram de posições aplicadas em juros nominais e reais no Brasil e de posições relativas de inclinação, enquanto as perdas se concentraram em juros aplicados nos EUA. O Bahia AM Mutá rendeu 1,77% no mês (163% do CDI). Em renda variável, as maiores posições estão em bancos, setor elétrico e óleo e gás. As concessões rodoviárias contribuíram positivamente, e incorporadoras de baixa renda e proteínas pesaram.
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Dahlia Capital
A carta da Dahlia Capital referente a setembro, intitulada “Quando os Regimes Mudam”, parte da ideia de que todo regime de mercado parece permanente enquanto dura e de que boa parte do retorno é feita, ou perdida, no intervalo entre a mudança dos fatos e o reconhecimento dessa mudança pelo consenso. No Brasil, a gestora registra que Flávio Bolsonaro recebeu 47,03% dos votos válidos no primeiro turno, contra 45,16% de Lula, e que no pregão seguinte o Ibovespa subiu 7,7%, o dólar caiu mais de 4% e a curva longa fechou mais de 130 pontos-base. Para a Dahlia, uma eventual mudança política pode elevar a credibilidade fiscal, reduzir o prêmio de risco e permitir juros reais estruturalmente mais baixos, embora parte dessa expectativa já possa estar nos preços. No exterior, o movimento foi na direção contrária: o Fed voltou a subir juros, para a faixa de 3,75% a 4,00%, o Brent voltou a superar US$ 100 e o Treasury de dez anos chegou a cerca de 5,3%, maior nível desde 2007. A carta cita a projeção do UBS de convergência da inflação americana no início de 2027 e as eleições legislativas de 3 de novembro como fatores a acompanhar. No posicionamento, o Dahlia Total Return aumentou o risco, principalmente em ações brasileiras, o Dahlia Macro Global seguiu comprado em ações americanas, com foco em semicondutores e hyperscalers, e o Dahlia Ações manteve posições em bancos, energia elétrica e cíclicos domésticos.
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EQI Asset
A carta mensal da EQI Asset de setembro descreve um aperto monetário sincronizado: Fed, BCE e Banco do Japão elevaram juros, com o Fed levando a taxa ao intervalo de 3,75% a 4,00% e a comunicação de Kevin Warsh reforçando a expectativa de novas altas. Para a gestora, a sincronia reflete forças comuns, como a energia mais cara com a guerra no Irã e a maior demanda por capital puxada pela inteligência artificial e pelo endividamento dos governos, o que sugere juros globais estruturalmente mais altos. No Brasil, o Copom cortou a Selic para 13,75% diante da desaceleração da atividade, e a EQI espera mais um corte, encerrando 2026 em 13,50%, com novos movimentos dependendo da credibilidade fiscal do próximo governo. No crédito, a carta aponta que a despesa financeira já consome, na mediana, 67% do lucro operacional das companhias abertas e que a inadimplência no crédito livre a pessoas físicas chegou a 8%, recorde histórico. Nas debêntures incentivadas, os fundos isentos tiveram cerca de R$ 17 bilhões em resgates, volume recorde da série iniciada em 2021, e os spreads atingiram o nível mais alto desde janeiro de 2024, movimento que a gestora considera técnico e que, em sua leitura, torna a classe mais interessante do que no início do ano. No fundo de ações PV FIA, que subiu 2,8% ante 5,0% do Ibovespa, a carta defende a tese de Mercado Livre, principal detrator do mês, cuja queda de margem é tratada como investimento deliberado em crescimento.
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Exploritas
A carta do time de gestão da Exploritas referente a setembro avalia que o caminho até o primeiro turno foi bastante positivo para a curva de juros e para as ações de empresas domésticas, o que levou os fundos da casa aos resultados mensais mais altos de suas séries históricas. Para a gestora, o resultado das urnas, com vitória ampla da oposição no Legislativo e nos governos estaduais, torna provável que o bom desempenho dos ativos locais se estenda, ainda que as semanas até o segundo turno tendam a ser agitadas e o governo possa recorrer a novas medidas populistas. No exterior, o cenário segue desafiador para emergentes, com juros mais altos nos países desenvolvidos e pressão prolongada sobre o petróleo, e a Exploritas espera que o Fed continue subindo os juros de curto prazo diante do boom de inteligência artificial. O Exploritas Marathon FIA subiu 28,3% no mês, com ganhos de 12,1% no book de juros, em posições aplicadas ao longo da curva de juros reais, e de 15,7% em ações, com destaque para Vamos, que avançou 43,8%. O Exploritas Alpha América Latina rendeu 28,9%, com posição líquida comprada de 20% em ações e foco no mercado doméstico, em especial infraestrutura. A gestora estuda trocas pontuais nas carteiras e considera voltar a aumentar posições em outros países da América Latina.
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Genoa Capital
A carta mensal da Genoa Capital de setembro avalia que a economia americana segue resiliente e dá sinais de reaceleração, com crescimento próximo de 4% anualizado no terceiro trimestre, sustentado pelo consumo e pelo investimento em inteligência artificial. O Fed elevou os juros em 25 pontos-base e sinalizou ao menos mais uma alta, e a gestora espera novo aumento em dezembro, com o ciclo seguindo de forma gradual em 2027. No Brasil, a carta considera que o primeiro turno produziu o resultado mais favorável à oposição dentro do espectro que a casa via como possível, e a vitória de Flávio Bolsonaro passou a ser seu cenário amplamente majoritário. Com a apreciação do real, a projeção de IPCA de 2027 deve cair de 4,8% para algo entre 4,0% e 4,5%. A Genoa estima contração de 0,4% do PIB no terceiro trimestre e vê, pela primeira vez em mais de um ano, sinais consistentes de abertura do hiato do produto. Para a gestora, acelerar os cortes da Selic já em novembro parece precipitado, mas a discussão deve ganhar força a partir de dezembro, com a taxa próxima de 11% no fim de 2027. O Genoa Radar rendeu 3,34% no mês, com contribuições de juros e moedas globais e de juros e bolsa locais. O Genoa Arpa subiu 4,33%, com exposição líquida em renda variável em torno de 90% e ganhos em empresas domésticas de utilidades públicas, financeiro e energia.
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Ibiuna Investimentos
O comentário mensal do Ibiuna Hedge referente a setembro aponta o livro de juros como destaque positivo, com posições tomadas em juros de países desenvolvidos e posições em inflação implícita no Brasil, e o fundo rendeu 1,75% no mês (162% do CDI). Para a gestora, setembro trouxe mais pressão aos mercados globais: à alta dos juros longos somou-se a continuidade do aperto monetário no G10, com a retomada das altas pelo Fed, e o Treasury de 10 anos fechou em 5,28%. A carta observa que a alta deixa de vir apenas do prêmio a termo e passa a ter a política monetária como motor, o que eleva o risco de um ajuste desordenado, com países de fundamentos fiscais frágeis, como a França, mais expostos. No Brasil, a eleição passou a ditar os preços, e o mercado passou a embutir maior chance de mudança de governo e de um ajuste fiscal capaz de estabilizar a dívida. A Ibiuna segue construtiva com uma possível mudança de rumo na política econômica, mas lembra que os fundamentos frágeis, como dívida alta e crescente e juros reais em níveis de crise, continuam presentes. Entre as posições, o fundo está aplicado em juros nominais curtos e longos no Brasil, tomado nos EUA e comprado no spread França/Alemanha. Em moedas, está comprado em dólar, yuan, real e florim húngaro e vendido em euro. Em renda variável, está comprado na bolsa brasileira via opções, e no crédito reduziu a alocação.
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JGP
O relatório de gestão dos multimercados da JGP referente a setembro aponta a abertura das taxas de juros dos EUA como o principal evento do mês, com o Treasury de 2 anos subindo 55 pontos-base, de 4,34% para 4,88%, depois que o Fed elevou a taxa para o intervalo de 3,75% a 4,00%. A entrevista de Kevin Warsh foi lida como hawkish, o mercado passou a considerar novas altas de 25 pontos-base e o dólar se valorizou 2,5% contra o euro. O S&P 500 caiu 0,5%, com a queda atenuada por poucos papéis de tecnologia, enquanto o Russell 2000 perdeu 5,4%. Na China, a atividade segue fraca, com indústria e exportações indo bem e consumo e construção deprimidos. No Brasil, o movimento foi o oposto: o DI Jan 29 recuou 43 pontos-base, refletindo dados de atividade fracos, com grande probabilidade de PIB negativo no terceiro trimestre, inflação mais moderada e o avanço de Flávio Bolsonaro nas pesquisas. O Ibovespa ganhou 5%, e o real subiu 0,2% enquanto as demais moedas emergentes se desvalorizaram. Nos fundos, os principais ganhos vieram de posições aplicadas em juros no Brasil e da compra de uma cesta de moedas contra o dólar, além de ações brasileiras e títulos da Light nos mandatos tradicionais. O JGP Strategy rendeu 1,60% no mês, ante 1,08% do CDI.
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Kadima Asset
A carta trimestral da Kadima referente a setembro, intitulada “Eleições e a volatilidade das bolsas”, testa se anos eleitorais de fato deixam o mercado acionário mais volátil. Na análise das sete eleições presidenciais brasileiras de 1998 a 2022, a volatilidade mediana do Ibovespa nos anos de eleição foi de 22,5%, abaixo dos 25,4% dos demais anos. O mês anterior à votação costuma ser mais agitado, mas o efeito acompanha em parte a volatilidade global e depende sobretudo de 1998, ano da crise da Rússia. Num painel internacional com 222 eleições em 30 países, a gestora não encontrou aumento da volatilidade antes ou depois da votação que possa ser atribuído à eleição, nem diferença no retorno da bolsa no ano seguinte conforme o vencedor. A Kadima ressalva que eleições específicas podem agitar o mercado, como em 2014, e que o número reduzido de eventos limita o poder dos testes. Nos fundos, o Kadima International Alpha rendeu 7,27% no trimestre, com ganho de 6,00% em setembro, puxado por modelos de commodities como diesel europeu, farelo de soja e Brent. O Kadima Master teve 3,52% no trimestre, ligeiramente acima do CDI, com ganhos em modelos de asset allocation concentrados em NTN-Bs.
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Kapitalo Investimentos
A carta mensal do Kapitalo NW3, fundo de arbitragem de fusões e aquisições, registra que a atividade de M&A desacelerou em setembro, com o menor volume de transações envolvendo companhias abertas nos EUA desde abril de 2025, reflexo da incerteza macroeconômica, dos custos de financiamento e de dúvidas ligadas à inteligência artificial. O pool de spreads nos EUA encerrou o mês em cerca de US$ 20 bilhões, queda de 25% em relação a agosto, e o spread médio ponderado fechou perto de 120 pontos-base. Entre os anúncios do mês, a gestora destaca a aquisição da Baldwin Insurance, avaliada em US$ 4,5 bilhões, e, no Brasil, a fusão entre YDUQS e Afya, de R$ 9,5 bilhões. O principal destaque foi a Warner Bros. Discovery, que subiu 9% depois do acordo com procuradores estaduais que encerrou o litígio sobre sua aquisição pela Paramount Skydance, com fechamento previsto para 6 de outubro. O fundo tem 14 posições, duration de cerca de 3,7 meses e exposição de aproximadamente 0,45 vez o patrimônio, com principais posições em Cia Brasileira de Alumínio, Warner Bros. Discovery, Mills e Mitie Group. O Kapitalo NW3 Plus rendeu 1,35% no mês, ante 1,08% do CDI.
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Kinea Investimentos
A carta do gestor da Kinea de setembro, intitulada “Highlander, o guerreiro imortal”, usa o filme de 1986 para tratar a eleição brasileira como um duelo final entre Lula e Flávio Bolsonaro. Para a gestora, quem vencer recebe a obrigação de promover um dos maiores ajustes fiscais desde a redemocratização: as simulações da casa indicam a necessidade de um resultado primário em torno de 2% do PIB para estabilizar a dívida, e as medidas precisam ser aprovadas no primeiro semestre de 2027, com o capital político do eleito ainda intacto. No cenário base, que pressupõe um ajuste anunciado da ordem de 1,5% do PIB, a Kinea trabalha com PIB de 1,0%, inflação de 4,7% e Selic em 12,5% ao fim de 2027. Nos EUA, a carta avalia que o Fed “ouviu a curva” ao fazer, por unanimidade, a primeira alta sob Kevin Warsh, e que o Treasury de 10 anos acima de 5% reflete juros mais altos por mais tempo e um prêmio de risco maior. Em inteligência artificial, a preocupação central é o crescimento da receita dos laboratórios, que precisaria triplicar até o fim de 2027. Em commodities, o diesel segue como principal foco de pressão. Na carteira, a Kinea montou posição tática comprada em bolsa brasileira, principalmente via EWZ, mantém viés comprado em dólar contra moedas europeias, posições aplicadas em juros na Europa, no México e na Nova Zelândia e uma cesta comprada de agrícolas, petróleo, ouro e cobre.
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Legacy Capital
A carta mensal da Legacy Capital de setembro descreve um mês de fortalecimento do dólar e de abertura das curvas de juros nas economias desenvolvidas, com os Treasuries longos superando 5,0%. A gestora atribui a pressão sobre a parte longa da curva americana a três fatores: a necessidade de juros altos por mais tempo diante da atividade resiliente e da energia cara, a preocupação com a trajetória fiscal dos países desenvolvidos e o ciclo de investimentos em infraestrutura de inteligência artificial, que eleva a demanda por capital. A Legacy espera nova alta de 25 pontos-base do Fed em dezembro e não descarta um último aperto no primeiro trimestre de 2027. No Brasil, revisou o PIB para 1,5% em 2026 e 1,0% em 2027 e projeta inflação de 5,1% e 4,7%, respectivamente. A carta dedica atenção às pesquisas eleitorais, apontando que mudanças metodológicas reduziram a dispersão entre institutos sem garantir maior precisão, e suas simulações indicam vantagem superior a 4 pontos percentuais para Flávio Bolsonaro no segundo turno. Nesse cenário, a gestora vê elevada probabilidade de aceleração dos cortes da Selic já na última reunião do ano, com taxa ao fim do ciclo possivelmente perto de 10%. O fundo rendeu 1,3% no mês, com contribuições de bolsas globais e renda fixa local, e mantém exposição equilibrada ao chamado kit Brasil, distribuída entre câmbio, juros e bolsa.
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Neo Investimentos
A carta da Neo referente a setembro, assinada pelo economista Luciano Sobral, avalia que a volta de fortes altas no petróleo e derivados, somada ao endurecimento do Fed em relação à inflação corrente, levou a uma grande deterioração nas condições financeiras globais. Para a gestora, essa deterioração ainda afetou pouco as bolsas e as perspectivas de crescimento, mas deve chegar a elas nos próximos meses se continuar. A carta registra a resiliência das cadeias logísticas de petróleo cru, que voltaram a exportar do Golfo volumes equivalentes aos de antes da guerra. Nos juros, a precificação de novas altas nos EUA é a mais agressiva entre os países acompanhados pela casa, e a alta das taxas longas reflete mais a expectativa de juros curtos elevados do que um aumento súbito do risco fiscal. Juros altos e crescimento forte nos EUA sustentam a valorização do dólar, tendência que desfavorece ativos de outros países. No Brasil, o avanço de Flávio Bolsonaro nas pesquisas fez os ativos locais se destacarem: o real foi a única moeda emergente acompanhada pela gestora que não se desvalorizou, e os juros locais caíram mesmo com a alta de mais de 50 pontos-base nas taxas longas americanas. Ainda assim, a Neo vê uma eleição apertada demais para justificar apostas direcionais.
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Occam Brasil
A carta mensal da Occam de setembro, que abre com uma citação de Paul Volcker, aponta a inflação de energia gerada pelo conflito entre Estados Unidos e Irã como centro da dinâmica global, com alta de 42% do Brent no trimestre e pressão sobre o diesel. Para a gestora, a persistência do choque enfraqueceu a leitura de efeitos temporários e levou a um aperto monetário sincronizado no G10, com o Fed se juntando a BCE e Banco do Japão, enquanto as taxas soberanas de diversas economias atingiram os maiores níveis em décadas. No Brasil, o Copom cortou a Selic em 25 pontos-base, e as projeções do Relatório de Política Monetária abrem caminho para a continuidade do processo em novembro. A carta observa que a eleição entrou em fase decisiva em meio a elevado ruído institucional, com a maioria das pesquisas convergindo para empate técnico. No book de juros, a Occam aproveitou o movimento local para reduzir posições aplicadas. No câmbio, reduziu a alocação em peso chileno e manteve a compra de ouro. Em bolsa, o destaque global foram as posições em semicondutores, e no Brasil contribuíram o setor financeiro, maior exposição comprada, e a queda de ativos de materiais básicos, principal fonte de financiamento da carteira. O Occam Retorno Absoluto rendeu 1,17% no mês (108% do CDI), e a gestora segue com níveis elevados de hedge.
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Opportunity
A carta de gestão do Opportunity Macro de setembro aponta o deslocamento para cima da curva de juros nos EUA como pano de fundo dos mercados, movimento que responde tanto à percepção de juros neutros mais altos quanto à necessidade de conter pressões inflacionárias latentes. A gestora observa que a reprecificação se concentrou nos juros reais, com inflações implícitas ainda condizentes com as metas, e que o dólar se fortaleceu de forma generalizada, reduzindo a atratividade das moedas emergentes. Fed e BCE subiram juros com sinalização hawkish, mas, diante de dados de inflação mais favoráveis na margem e da alta dos juros longos, passaram a indicar altas espaçadas, sinal de que os bancos centrais começam a enfrentar trade-offs mais relevantes. A carta também repassa as decisões de outros bancos centrais, como os do Reino Unido, República Tcheca, Polônia, África do Sul, Chile e México. No Brasil, o Copom seguiu cortando 25 pontos-base, e a maior probabilidade de compromisso com ajustes fiscais à frente fez recuar os juros reais longos. Nos multimercados, a gestora mantém posição comprada em NTN-Bs, exposição seletiva em ações domésticas e viés aplicado no trecho intermediário da curva de DI. No exterior, segue com empresas de semicondutores, serviços financeiros e mídia, e encerrou com ganho a posição vendida em euro e dólar canadense contra o dólar. O Opportunity Total rendeu 1,24% no mês.
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Persevera
A carta da Persevera publicada em setembro, intitulada “O Brasil não pretende reeleger Lula”, foi escrita a pouco mais de duas semanas do primeiro turno e sustenta que, embora as pesquisas indicassem empate no provável segundo turno, a disputa já estaria, nas contas da gestora, ao redor de 52% a 48% a favor de Flávio Bolsonaro. A Persevera trata a eleição como um referendo sobre o atual presidente e usa a rejeição, de 52,5% para Lula, como indicador de maior valor informacional, por reduzir o efeito do eleitor que não declara o voto. A análise aponta erosão de Lula no Nordeste, que lhe deu 69% dos votos em 2022 e hoje daria cerca de 65% nas simulações, e atribui o movimento à mudança de prioridade do eleitorado para a segurança pública. A carta cita ainda o crescimento do eleitorado evangélico e uma desaprovação no Sudeste que, na leitura da gestora, estaria subestimada nas pesquisas nacionais. Ajustes por abstenção e pelo erro histórico dos institutos em 2022 colocariam Flávio entre 50,35% e 51,1% pelas mesmas pesquisas. A Persevera conclui que o Brasil deve acompanhar o ciclo político observado na América Latina, onde 9 dos 12 países analisados têm hoje governos de direita.
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Quantitas
A carta mensal da Quantitas de setembro, sob o título “Reviravolta no Fed e afunilamento do pleito presidencial no Brasil”, descreve um mês intenso, com alta dos juros longos globais em magnitude não vista havia anos. O Fed subiu os juros em 0,25 ponto percentual com tom duro, e a probabilidade de nova alta em outubro chegou a 70% no fim do mês, mas discursos mais brandos de John Williams e Philip Jefferson e dados de emprego mais fracos, divulgados em 2 de outubro, reduziram essa chance para 20%. A gestora defende separar os fatores conjunturais da alta dos juros longos, ligados ao conflito geopolítico, dos estruturais, como o fiscal de EUA e Europa e o endividamento das empresas de tecnologia. No Brasil, a Quantitas espera mais dois cortes de 0,25 ponto percentual na Selic até o fim do ano e vê o PIB do terceiro trimestre caminhando para zero ou menos. Na eleição, o agregador de pesquisas da casa mostrou a vantagem de Lula no primeiro turno caindo de 5 para 2,5 pontos percentuais, o que, pela transferência histórica de votos, tornaria Flávio Bolsonaro favorito. No posicionamento macro, a gestora montou posição tática comprada em índice de bolsa para a janela eleitoral, reduziu a exposição em juros reais e zerou a posição comprada em real contra o dólar. O Quantitas Mallorca rendeu 1,91% no mês (177% do CDI). No crédito, o Quantitas Fiji ficou abaixo do CDI por causa de Brasil Tecpar, cujas debêntures foram vendidas integralmente.
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Sparta
A carta mensal da Sparta de setembro concentra a análise no crédito privado e aponta as debêntures incentivadas como o principal movimento do mês. O equilíbrio frágil que a gestora vinha descrevendo se materializou: uma alteração relativamente pequena no fluxo bastou para abrir cerca de 40 pontos-base na mediana dos spreads, e os fundos hedgeados de incentivadas tiveram um dos piores meses de sua história, a maioria com retorno nominal negativo. A Sparta observa que o movimento não esteve ligado a eventos de crédito e que, nos fundos indexados à inflação, o fechamento das taxas das NTN-Bs compensou a abertura dos spreads, o que reforça sua preferência por essas estratégias. O ponto de atenção agora é o passivo, já que os pedidos de resgate feitos após o resultado de setembro devem aparecer em outubro e novembro, com risco de retroalimentação. A carta também registra que o ajuste começou a chegar ao crédito tradicional, ainda de forma contida e restrita a poucos emissores. No mercado primário, a gestora analisou 13 ofertas, que somaram R$ 13 bilhões, e alocou em apenas uma. A Sparta mantém liquidez para não ser vendedora forçada e avalia que a abertura dos spreads começa a gerar relações de retorno e risco mais interessantes.
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