[TAG SUMMIT 2023] Macroeconomia e Política em foco: O que esperar para os próximos anos?

O TAG Summit 2023 começou com uma discussão de alto nível a respeito das perspectivas para a macroeconomia e a política do Brasil e do mundo. Com a mediação do CIO da TAG Investimentos, André Leite, o painel contou com a participação do sócio da BRCG e economista da TAG, Lívio Ribeiro, e do CEO da Estímulo e ex-deputado federal Vinicius Poit.
Perguntado sobre o momento atual da China, Lívio ponderou que precisamos entender que a forma como o país lida com o processo de planejamento econômico e decisões políticas é muito diferente da tendência ocidental de procurar soluções apresentadas em curto prazo.
O economista contou que levou 10 anos para encontrar os dados que precisava estudar a respeito da China, e que o país procura seguir um caminho diferente do Japão – evitando os erros cometidos pelo país asiático.
Além de especialista no cenário externo e os impactos para a economia brasileira, Ribeiro foi o único brasileiro entre os 10 melhores analistas de economia chinesa do mundo, segundo levantamento feito pela Bloomberg.
Sobre a Europa, o economista comentou que – diferentemente das expectativas – a estagflação no continente não ocorreu, mas que o BC europeu conta com muitos desafios com a inflação alta, os resquícios da pandemia e agora a guerra entre Rússia e Ucrânia.
Para completar a análise do cenário externo, Ribeiro afirmou que as economias do G3 (China, Europa e EUA) estão passando por momentos diferentes – todos gerados pelo choque comercial e pela pandemia. Sobre o último, o economista analisa que após a pandemia a maneira de encarar a economia mudou – dando mais atenção para o hoje do que para o amanhã – o que resulta em uma corda mais esticada e debates sobre intervenção.

A respeito do cenário brasileiro, os especialistas conversaram sobre o momento atual do da política e da economia brasileira. Vinicius Poit, ex-deputado federal e que hoje atua como comentarista na CNN e também como CEO da Estímulo – fundo de impacto social para capacitação de pequenos empreendedores – deu sua visão interna sobre a política brasileira, afirmando que o Congresso que temos hoje, mais do que ideológico, é pragmático – e atua de acordo com os próprios interesses.
Poit também comentou que a busca pelos “pesos e contrapesos” acaba tomando outras proporções no Brasil, uma vez que quando um dos poderes é omisso – citando a Câmara dos Deputados com casos de julgamentos recentes de ex-parlamentares – outros poderes tendem a crescer, como é o caso do Judiciário hoje.
Apesar disso e da descrença nos agentes políticos, o ex-congressista se diz otimista com o Brasil, e cita o Banco Central como um caso de sucesso por ter conseguido segurar a taxa de juros apesar de toda a pressão política que sofreu nos últimos meses.
A respeito da queda da Taxa Selic anunciada na última semana, os especialistas argumentaram que apesar da surpresa do mercado ainda é hora de cautela, uma vez que a projeção para 2024 ainda está acima da meta. Eles também debateram a respeito da autonomia do BC, que hoje conta com um diretor que é universalmente visto como sucessor do presidente Campos Neto, lembrando que no final do ano haverá a troca de dois diretores – que, coincidentemente, foram a favor de uma queda menor para a taxa de juros neste momento (25 p.p.).
Para complementar, os participantes do painel afirmaram que as últimas projeções do PIB realizadas pelo mercado não foram assertivas, tendo surpreendido positivamente a todos que esperavam um resultado pior. Mas sugeriram cautela, uma vez que olhar resultados positivos com esta visão pode fazer parecer que o trabalho árduo já foi feito. E como disse Ribeiro: “a pior coisa para fazer um trabalho correto é achar que você já fez o trabalho”.