Inteligência artificial, tecnologia e modelo de negócio: o que o Gorila Wealth Trends revelou sobre o futuro do wealth management

Na 3ª edição do Gorila Wealth Trends, mais de 500 profissionais debateram as forças que estão redesenhando o setor: inteligência artificial, decisões de tecnologia e a disputa por um modelo de negócio sustentável até 2030
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PorEdnael Ferreira - 11/05/2026
3 min de leitura

Em três edições, o Gorila Wealth Trends consolidou algo que o mercado brasileiro de wealth management ainda não tinha: um espaço onde tecnologia e estratégia de negócio são discutidas no mesmo nível de profundidade. A terceira edição do Gorila Wealth Trends, realizada com mais de 500 participantes, confirmou que essa conversa não é mais prematura. O setor está pronto para ela.

Os debates deste ano giraram em torno de duas forças que estão redesenhando o mercado simultaneamente. A primeira é a inteligência artificial, que chegou ao wealth management não como promessa futura, mas como variável presente nas decisões de operação, de contratação e de posicionamento. A segunda é a pressão por um modelo de negócio que sustente crescimento sem depender de volume puro, numa indústria que cresce 28% ao ano no segmento de consultoria mas que já mostra sinais de maturação na assessoria.

Na interseção dessas duas forças, o Gorila Wealth Trends produziu algumas conclusões que vale registrar.

A IA nivela o que antes era raro. Montar um portfólio eficiente, gerar relatórios, automatizar a prospecção: tudo isso está se tornando acessível a qualquer operação com orçamento para as ferramentas certas. O que não se automatiza, e o que os painéis do Gorila Wealth Trends reiteraram com consistência, é o relacionamento. “O modelo vencedor passa necessariamente por relações humanas”, disse Ricardo Guimarães, fundador da Vita Investimentos e sócio da Tori. A tecnologia que vai diferenciar não é a que substitui o advisor, mas a que devolve tempo para que ele faça o que só ele faz.

Mas para chegar lá, as operações precisam resolver um problema anterior. O maior gargalo do wealth management brasileiro hoje não é a falta de ferramentas. É a incapacidade de conectar os dados corretos entre sistemas que não conversam. “O maior desafio é trazer o dado transacional em escala”, disse Frederico Padilha, CPO do Gorila. Enquanto esse problema não for resolvido, a promessa da IA fica represada na camada de infraestrutura.

A discussão sobre modelo de negócio chegou com a mesma urgência. O mercado está em bifurcação: cresce quem tem clareza de posicionamento, seja pela escala, seja pela especialização. Para Felipe Bichara, vice-presidente da Fami Capital, proximidade com o cliente e cultura interna são os ativos que definem uma operação. Para Guilherme Assis, CEO do Gorila, o diferencial começa antes, nos dados proprietários, na marca construída com consistência, no ambiente regulatório e na velocidade com que uma organização aprende e se adapta.

O que o Gorila Wealth Trends deixa como síntese de 2026 é que o wealth management brasileiro chegou a um ponto em que as perguntas ficaram mais difíceis. Não se debate mais se a IA vai impactar o setor. Debate-se o que construir antes dela, ao redor dela e apesar dela. Não se questiona mais se o modelo fee-based vai prevalecer. Discute-se qual tamanho, qual equipe e qual cultura uma operação precisa ter para que esse modelo seja sustentável em 2030.

Mais de 500 profissionais estiveram presentes para ter essa conversa. O fato de ela estar acontecendo no Brasil, com essa qualidade e esse nível de participação, já é um sinal do que está por vir.

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